sexta-feira, 30 de agosto de 2013

SALA P. F. GASTAL EXIBE SHOAH, CLÁSSICO DOCUMENTÁRIO SOBRE O HOLOCAUSTO

A Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, em parceria com o Instituto Moreira Salles, e apoio da Organização B´nai B´rith/RS, promove o lançamento em Porto Alegre da caixa de DVDs com o clássico documentário Shoah, de Claude Lanzmann, considerado o mais importante filme já realizado sobre o Holocausto. Além da exibição do filme na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar), entre os dias 3 e 8 de setembro, haverá também um debate com o cineasta João Moreira Salles (presidente do Instituto Moreira Salles, editor da revista Piauí e diretor dos documentários Nelson Freire e Santiago) sobre o filme, no dia 6 de setembro, às 20h. A programação é aberta ao público e tem entrada franca.
Com 9 horas de duração, o documentário de Claude Lanzmann é inteiramente feito de depoimentos de sobreviventes de Chelmno, dos campos de Auschwitz, Treblinka e Sobibor e do Gueto de Varsóvia e de entrevistas com ex-oficiais nazistas e maquinistas que conduziam os trens da morte. São depoimentos registrados com a colaboração de três intérpretes – Barbara Janicka, Francine Kaufman e a senhora Apfelbaum – presentes na filmagem para a tradução simultânea das falas em línguas que o realizador não dominava. O resultado dessas conversas provocadas pela câmera é um retrato terrível do genocídio nazista. Lanzmann levou mais de uma década para fazer o documentário. “Quando comecei o filme, tive que lidar, por um lado, com o desaparecimento dos vestígios: não havia coisa alguma, absolutamente nada, e eu tinha que fazer um filme a partir desse nada. E por outro lado, tive que lidar com as impossibilidades, até mesmo dos próprios sobreviventes, de contar essa história; a impossibilidade de falar, a dificuldade – que pode ser vista ao longo do filme – de trazer à luz e a impossibilidade de nomear: seu caráter inominável”, explica o diretor.
Aclamado pela crítica e elogiado por intelectuais do porte de Simone de Beauvoir, desde a sua estreia nos anos 80 Shoah transformou-se em uma referência para inúmeros cineastas (recentemente premiada no Festival de Gramado com o documentário Repare Bem, em cartaz nos cinemas de Porto Alegre, a cineasta portuguesa Maria de Medeiros admitiu a influência da obra-prima de Lanzmann na criação de seu retrato sobre a militante de esquerda Denise Crispim). Shoah será exibido em quatro partes (devido à longa duração do filme), sempre com entrada franca. No dia da palestra do documentarista João Moreira Salles (6 de setembro), a caixa de DVDs do filme lançada pelo Instituto Moreira Salles estará disponível para venda na Sala P. F. Gastal.

Shoah. Direção de Claude Lanzmann. França, 1985. Documentário. Duração: 543 minutos. Exibição dividida em quatro partes. Entrada franca.

GRADE DE HORÁRIOS

Semana de 3 a 8 de setembro de 2013

3 de setembro (terça-feira)
15:00 – Shoah (parte 1) – 147 minutos
17:30 – Shoah (parte 2) – 116 minutos

4 de setembro (quarta-feira)
15:00 – Shoah (parte 3) – 140 minutos
17:30 – Shoah (parte 4) – 140 minutos

5 de setembro (quinta-feira)
14:00 – Evento Ministério da Cultura
17:30 – Shoah (parte 1) – 147 minutos
20:00 – Shoah (parte 2) – 116 minutos

6 de setembro (sexta-feira)
15:00 – Shoah (parte 3) – 140 minutos
17:30 – Shoah (parte 4) – 140 minutos
20:00 – Debate com o diretor João Moreira Salles

7 de setembro (sábado)
16:00 – Shoah (parte 1) – 147 minutos
18:30 – Shoah (parte 2) – 116 minutos

 8 de setembro (domingo)
16:00 – Shoah (parte 3) – 140 minutos
18:30 – Shoah (parte 4) – 140 minutos


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

UMA PLATAFORMA PARA O LANÇAMENTO DE BONS FILMES NA SALA P. F. GASTAL

A Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, em parceria com as produtoras Tokyo Filmes e Livre Associação, dá início no dia 27 de agosto próximo ao projeto Sessão Plataforma. Realizada mensalmente na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar), a Sessão Plataforma irá exibir filmes de produção recente, de diferentes nacionalidades, com caráter predominantemente independente e sem distribuição comercial garantida no Brasil. Com curadoria de Davi Pretto e Giovani Borba, e produção de Paola Wink, a Sessão Plataforma já tem confirmada para os próximos meses a exibição de importantes filmes que circularam nos principais festivais do mundo todo e no Brasil passaram apenas pela Mostra de Cinema de São Paulo ou pelo Festival do Rio, como Room 237, de Rodney Ascher, Bestiaire, de Denis Cotê,  The Invader, de Nicolas Provost, e Leviathan, de Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel. A cada sessão, a Plataforma vai anunciar o filme seguinte da programação, em um trabalho que procura difundir um novo cinema e uma busca de realizadores com outros olhares, aproximando Porto Alegre do circuito de exibição do centro do país, do qual atualmente a capital gaúcha se vê ainda muito distante.

O filme escolhido para inaugurar a Sessão Plataforma é o cultuado documentário Room 237, de Rodney Aschner, que participou dos festivais de Cannes, Sundance e Berlim. O documentário de Aschner explora os labirintos das inúmeras teorias obsessivas sobre o clássico filme O Iluminado, de Stanley Kubrick. Um filme sobre a paixão por um filme, por um realizador e, acima de tudo, pelo cinema, um filme sobre a cinefilia como única saída para se livrar dos fantasmas de um filme sobre fantasmas. 
Room 237 será exibido dia 27 de agosto, às 20h, com reprise no sábado, dia 31 de agosto, às 17h. O valor do ingresso é de R$ 3,00.

Room 237. Estados Unidos, 2012, 102 minutos. Direção de Rodney Aschner. Documentário. Exibição em Blu-ray, com legendas em português.

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Abaixo, texto dos curadores Davi Pretto e Giovani Borba e da produtora Paola Wink sobre o projeto Sessão Plataforma:

BASE

Uma base para se estar mais próximo aos filmes, pensando os filmes e pensando o cinema. 

Foi com esse desejo que concebemos a Plataforma; imaginando uma estrutura horizontal, praticamente suspensa, onde se pode ir além. Um espaço para compartilhar a experiência cinematográfica da sala, e que vai além dela, e a descoberta de novos filmes, de novos realizadores. Lugar que nos aproxima do horizonte e nos convida a contemplar, nos convida a refletir.

A Plataforma carrega um conjunto de ideias e ações que venham a encontrar novos caminhos para a situação paradigmática que nos encontramos atualmente na cinematografia brasileira. Vemos uma quantidade grande, ainda que desigual, de ações e investimentos governamentais, aliado com a facilidade trazida pela transformação para os equipamentos digitais (câmeras, projetores, etc). Vemos uma quantidade bastante significativa, e que cresce exponencialmente, de filmes nacionais lançados, inúmeros novos realizadores de lugares que antes eram desprovidos da possibilidade de produzir. Vemos a formação e crescimento de movimentos e realizadores que buscam uma produção mais horizontal e igualitária de criação coletiva, que corre em paralelo e independente de um modelo industrial. Porém há ainda um abismo que distancia a possibilidade de diálogo e inclusão desses filmes e cineastas com produções de grande orçamento e o circuito comercial “de shopping”. Nessa inclusão, quando ocorre, essas obras são forçadas a se enquadrar em um modelo industrial, que se propuseram a contrapor. A democratização das salas de cinema não legitimaria esse novo cinema, afinal essas obras já percorrem um circuito completo por si só. Festivais, mostras, cineclubes e exibições online que já somam números de público para essas obras, maiores que filmes de grande orçamento que pairam apenas em uma rede convencional de exibição. É imprescindível pensarmos como esses dois modelos de fazer cinema podem interagir sem a necessidade de nenhum deles perder sua personalidade.

Essa questão da afirmação e preservação do âmago desse novo cinema também é indiretamente abalada quando ações do estado de financiamento fazem realizadores submeter seus projetos em modelos clássicos, onde são exigidos documentos dignos de uma proposta industrial. Roteiros, metas e justificativas. Projetos de realizadores internacionais renomados que trabalham com propostas fluídas e híbridas de encontro e acaso dificilmente seriam aprovados em editais no modelo encontrado no Brasil. Ainda parece que esbarramos em um pensamento de criação de um produto óbvio, como uma linha de montagem. Mais uma vez, vemos uma tentativa inadequada de controlar e definir o descontrole.

A diversidade cinematográfica atravessa as fronteiras entre gêneros, bitolas, formatos, meios de exibição, de linguagem e metragem. Desta mesma maneira, pensamos que uma janela para este outro cinema pode se apresentar de maneiras também diversas, onde o formato com que se apresentam os filmes é parte de uma proposta artística.

Foi deste pensar os filmes que queremos mostrar e como mostrá-los, que surge a Sessão Plataforma. Com o entendimento de que a Plataforma não está para uma mostra, tampouco festival de filmes. Nossa proposta é oferecer uma sessão única, e mesmo exibindo regularmente, essa premissa da sessão única faz de cada uma das sessões, uma nova edição, para um pequeno universo específico de cinema. Onde cada filme traz uma reflexão, imprime uma ideia, aponta novos caminhos, proporciona um outro olhar. Uma experiência cinematográfica periódica e extensiva; um formato horizontal, ao invés do formato vertical, intensivo e anual de eventos do gênero.

A Sessão Plataforma é apenas uma das vertentes desta rede maior que propomos para refletir, exibir, escrever e produzir junto com esse novo cinema. Desta Plataforma, nosso olhar se lança neste horizonte, em busca da produção contemporânea ao redor do mundo que explora nas possibilidades narrativas e estéticas, sem artifícios mirabolantes, que atritam, provocam e instigam; que possam reinventar o fazer cinematográfico, sob a ótica das mais diferentes culturas, de onde volta e meia nos surpreendem as cinematografias pouco conhecidas.

Davi Pretto, Giovani Borba, Paola Wink

terça-feira, 20 de agosto de 2013

PROJETO RAROS APRESENTA MONSTRO NORTE-COREANO


Nesta sexta-feira (23 de agosto), às 20h, o Projeto Raros da Sala P.F. Gastal (3º andar da Usina do Gasômetro) exibe o filme norte-coreano Pulgasari (1985), de Shin Sang-ok, cineasta sul-coreano sequestrado por agentes do país vizinho a mando de Kim Jong-il, filho do então presidente Kim Il-sung. O filme será exibido em DVD com legendas em espanhol.

O desejo de construir uma indústria cinematográfica na Coréia do Norte, somado a uma notável cinefilia, levou Kim Jong-il a orquestrar no final dos anos 1970 o rapto do cineasta, apelidado de “príncipe do cinema sul-coreano”. Shin Sang-ok é considerado um dos nomes mais importantes da chamada era de ouro do cinema de seu país, realizando e produzindo centenas de filmes durante os anos 1950 e 1960. 

Baseado em uma lenda do século XIV, Pulgasari é o filme mais famoso dos sete que o cineasta realizou na Coréia do Norte com a produção executiva de Kim Jong-il. Na Coréia feudal, durante a dinastia Goryeo, um rei controla a terra com mãos de ferro, sujeitando os camponeses à miséria. Quando uma pequena criatura de arroz, criada por um velho ferreiro, ganha vida ao entrar em contato com o sangue de uma jovem, um monstro aparece para enfrentar as tropas do rei e defender os ideais do povo. Não apenas uma peça de propaganda política, Pulgasari também remonta aos filmes kaiju, gênero japonês de filmes de monstro, cujo título mais célebre é Godzilla (1954), de Ishiro Honda.


Projeto Raros
23 de agosto
20:00
Pulgasari (Pulgasari), de Shin Sang-ok (Coréia do Norte, 1985, 95 minutos)
Com Chang Son Hui, Ham Gi Sop, Jong-uk Ri e Gwon Ri
O filme será exibido em DVD com legendas em espanhol
Entrada franca          



sexta-feira, 16 de agosto de 2013

CLÁSSICOS E RARIDADES DA HOLLYWOOD GERMÂNICA NA SALA P.F. GASTAL

Destaques da última semana da programação da Sala P.F. Gastal, F.W. Murnau e Josef von Sternberg não foram os únicos cineastas de origem germânica que realizaram filmes importantes nos Estados Unidos. Em seu período clássico, Hollywood teve uma contribuição inestimável de realizadores que emigraram da Alemanha para seus estúdios. Com uma seleção de clássicos e raridades, o cinema da Usina do Gasômetro (3º andar) apresenta entre os dias 20 e 25 de agosto a mostra Hollywood Germânica, com oito filmes que percorrem diferentes gêneros e décadas.

Já no período silencioso, muitos nomes germânicos figuram como referência de cinema autoral dentro da produção norte-americana. Alguns pagaram um preço caro, como o vienense Erich von Stroheim, um dos célebres malditos de Hollywood que colecionou projetos ambiciosos destruídos por produtores preocupados apenas com resultados comerciais. Embora radicado no outro lado do Atlântico desde o início do século, o cineasta apresenta em Esposas Ingênuas, de 1922, um olhar repleto de ironia à nobreza decadente européia.

Ainda nos anos 1920, serão exibidos o influente O Homem que Ri (1928), de Paul Leni, marco da Universal que aproxima o melodrama ao horror expressionista, e O Leque de Lady Windermere (1925), comédia do libertino Ernst Lubitsch, dono de um estilo que influenciou toda uma geração, incluindo seu pupilo Billy Wilder, outro nome aclamado que trocou Berlim por Beverly Hills – presente na mostra com Irma La Douce (1963), uma de suas comédias mais deliciosas.
    
Na década de 1930, Fritz Lang – maior nome do cinema alemão da época – decidiu fugir do país após receber um convite de Joseph Goebbels para produzir filmes para o Partido Nazista. Os anos nos Estados Unidos trazem alguns dos trabalhos mais significativos de sua carreira, a começar por Fúria, o primeiro realizado em Hollywood, em 1936, que revela a hipocrisia e o gosto pela violência da sociedade norte-americana.

A ascensão nazista também levou a Hollywood outros nomes admiráveis: Edgar G. Ulmer, Robert Siodmak e Fred Zinnemann – cineastas que trabalharam juntos na Alemanha (ao lado de Billy Wilder, no filme Menschen am Sonntag) e seguiram diferentes trilhas no novo território. Do noir-vitoriano à ficção-científica, passando pelo drama situado em meio à guerra, Silêncio nas Trevas, O Homem do Planeta X e A Um Passo da Eternidade são ótimos exemplos da diversidade que os cineastas de origem germânica consagraram em Hollywood. 

A mostra Hollywood Germânica tem apoio da distribuidora MPLC e da locadora E o Vídeo Levou.   
  
PROGRAMAÇÃO
20 a 25 de agosto de 2013


Esposas Ingênuas (Foolish Wives), de Erich von Stroheim (EUA, 1922, 140 minutos)
Um falso Conde - na realidade, um charlatão - faz pose em Monte Carlo para tirar vantagens de mulheres ricas, armando golpes com a ajuda de suas amantes. Exibição em DVD.



O Leque de Lady Windermere (Lady Windermere's Fan) , de Ernst Lubitsch (EUA, 1925, 89 minutos)
Lady Windermere está irritada com as infidelidades do marido, interessado em Mrs. Erlynne. Para piorar a situação, seu marido convida a mulher para seu aniversário de casamento. Cansada da situação, a esposa decide abandonar o marido e vai morar com outro homem. Mas sua mãe tentará impedir que ela deixe o seu marido. Adaptação de uma novela de Oscar Wilde. Exibição em DVD.


O Homem Que Ri (The Man Who Laughs), de Paul Leni (EUA, 1928, 120 minutos)
Herdeiro de um ducado, Gwynplaine é sequestrado quando garoto e, por ordem do rei, desfigurado. Com o rosto esculpido num perpétuo sorriso macabro, ele vira atração de circo e torna-se um famoso palhaço. Exibição em DVD.


Fúria (Fury), de Fritz Lang (EUA, 1936, 92 minutos)
Após sofrer um sanguinário linchamento por uma turba, Joe Wilson é injustamente preso e pensa que está morto. Mas algo o mantém vivo. Com o objetivo de buscar justiça contra seus agressores, Joe milagrosamente consegue escapar da prisão. Spencer Tracy é Joe, Silvia Sidney é sua noiva. Fúria mostra como as turbas de linchamento são capazes de destruir o trabalho da justiça. Exibição em DVD.


Silêncio nas Trevas (The Spiral Staircase), de Robert Siodmak (EUA, 1945, 83 minutos)
Baseado no romance Some Must Watch,de Ethel Lina White, Silêncio nas Trevas é um filme noir gótico que mostra os moradores de uma casa de estilo vitoriano sendo assombrados pela presença de um assassino. Exibição em DVD.

O Homem do Planeta X (The Man From Planet X), de Edgar G. Ulmer (EUA, 1951, 70 minutos)
Durante uma pesquisa a um pequeno planeta em rota de colisão com a Terra, cientista e sua filha encontram uma espaçonave e um extraterrestre amigável. No entanto, a maldade humana poderá despertar incríveis poderes na criatura. Exibição em DVD.

A Um Passo da Eternidade (From Here to Eternity), de Fred Zinnemann (EUA, 1953, 118 minutos)
Em 1941, Robert E. Lee Prewitt (Montgomery Cliff) pede transferência do exército e vai parar na base militar de Schofield, no Havaí. Paralelamente, o Sargento Warden (Burt Lancaster), ouvindo histórias que a esposa do capitão procura relações extraconjugais por ter sérios problemas no casamento, começa a se interessar por ela e acaba sendo correspondido. Para complicar a situação na base, Maggio (Frank Sinatra), um amigo de Prewitt, é vítima de Fatso (Ernest Borgnine), um sádico sargento, e Prewitt se apaixona por uma prostituta. Mas enquanto todos estes acontecimentos têm andamentos algo muito mais grave está para acontecer: o ataque japonês a Pearl Harbor. Exibição em DVD.

Irma La Douce (Irma La Douce), de Billy Wilder (EUA, 1963, 142 minutos)
Nestor é um policial honesto de Paris que se apaixona por Irma, uma prostituta que ele conhece no serviço. Após ser demitido da polícia por não aceitar participar do acordo entre prostitutas, cafetões e policiais, ele vem a se tornar o cafetão de Irma, mas não quer que ela se encontre com nenhum homem que não seja ele. Exibição em DVD.


GRADE DE HORÁRIOS
20 a 25 de agosto de 2013

20 de agosto (terça-feira)
15:00 – Silêncio Nas Trevas, de Robert Siodmak
17:00 – O Homem do Planeta X, de Edgar G. Ulmer
19:00 – Esposas Ingênuas, de Erich von Stroheim

21 de agosto (quarta-feira)
15:00 – A Um Passo da Eternidade, de Fred Zinnemann
17:00 – O Leque de Lady Windermere, de Ernst Lubitsch
19:00 – Irma La Douce, de Billy Wilder

22 de agosto (quinta-feira)
15:00 – Fúria, de Fritz Lang
17:00 – Silêncio nas Trevas, de Robert Siodmak
19:00 – O Homem que Ri, de Paul Leni

23 de agosto (sexta-feira)
15:00 – A Um Passo da Eternidade, de Fred Zinnemann
17:00 – Irma La Douce, de Billy Wilder
20:00 – Projeto Raros

24 de agosto (sábado)
15:00 – Silêncio nas Trevas, de Robert Siodmak
17:00 – O Homem que Ri, de Paul Leni 
19:00 – Esposas Ingênuas, de Erich von Stroheim

25 de agosto (domingo)
15:00 – O Leque de Lady Windermere, de Ernst Lubitsch
17:00 – O Homem do Planeta X, de Edgar G. Ulmer
19:00 – Fúria, de Fritz Lang


Apoio

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

SALA P. F. GASTAL APRESENTA CLÁSSICOS QUE INSPIRARAM O FILME TABU, DE MIGUEL GOMES

O cinema contemporâneo tem como um de seus aspectos mais destacados o diálogo constante com obras de outros tempos. Longe da reverência trivial, Tabu, aclamado longa-metragem do português Miguel Gomes que entrou cartaz em Porto Alegre no mês de agosto, traz entre suas referências Aurora (1927) e o homônimo Tabu (1932), obras célebres do período norte-americano de F. W. Murnau, além de um dos últimos filmes de Josef von Sternberg, Macau, cuja trama se passa na ex-colônia portuguesa – e que também foi retomado por outro destaque da cinematografia portuguesa recente, A Última Vez que Vi Macau, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata. Com a intenção de promover o debate sobre a relação entre as obras contemporâneas e o cinema clássico, a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) apresenta a mostra Tabu: Influências e Confluências com os filmes de F. W. Murnau e Josef von Sternberg que inspiram a obra-prima de Miguel Gomes.     

Com narrativas sobre infidelidade e amores condenados, Aurora e Tabu são os dois principais filmes que F.W. Murnau, o grande gênio do cinema alemão dos anos 1920, realizou nos Estados Unidos. O primeiro é uma superprodução lançada em 1927, ano em que Hollywood começa a dar os primeiros passos em direção ao cinema sonoro, historicamente situada como um dos filmes que esgotam as possibilidades estéticas e narrativas do período silencioso. O segundo é uma produção independente filmada na Polinésia Francesa em parceria com Robert J. Flaherty, um dos pioneiros do documentário. Assim como o filme de Gomes – que apenas inverte a ordem das narrativas de Murnau –, a história é divida em duas partes: Paraíso e Paraíso Perdido.    

Macau é um dos cultuados filmes policiais de série B produzidos pela RKO, com um charme particular por ter sua história ambientada em um território exótico, poucas vezes visto em filmes norte-americanos do gênero daquela época. Teve uma produção turbulenta – Nicholas Ray precisou terminar algumas cenas – e se destaca na última década de realização de um dos estetas mais influentes do cinema clássico, Josef von Sternberg, outro germânico radicado nos Estados Unidos, cuja parceria – cinematográfica e amorosa – com Marlene Dietrich no início dos anos 1930 rendeu a Hollywood alguns de seus momentos mais provocantes.     

A mostra Tabu: Influências e Confluências tem o apoio da distribuidora MPLC e da locadora E o Vídeo Levou.

PROGRAMAÇÃO
13 de agosto a 18 de agosto de 2013


Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans), de F.W. Murnau (EUA, 1927, 94 minutos)
Seduzido por uma moça da cidade, um fazendeiro tenta afogar sua mulher, mas desiste no último momento. Esta foge para a cidade, mas ele a segue para provar o seu amor. Exibição em DVD. 



Tabu (Tabu), de F.W. Murnau (EUA, 1931, 82 minutos)
 Pescador de uma aldeia do Taiti se apaixona por uma garota. Só que ela é considerada "tabu" depois de ser condenada pelos deuses a não se apaixonar ou se entregar a qualquer homem. Mas o amor entre os dois é mais forte que o próprio tabu e eles fogem para escapar dessa maldição. Exibição em DVD. 


Macau (Macao), de Josef von Sternberg (EUA, 1952, 80 minutos)
Nick Cochran, um norte-americano exilado em Macau, tem a chance de restaurar seu nome, ajudando capturar um chefão do crime internacional. Exibição em DVD. 







GRADE DE HORÁRIOS
13 de agosto a 18 de agosto de 2013

13 de agosto (terça-feira)
14:00 – Sessão fechada 
17:00 – Aurora
19:00 – Tabu

14 de agosto (quarta-feira)
15:00 – Aurora
17:00 – Tabu
19:00 – Macau

15 de agosto (quinta-feira)
15:00 – Tabu
17:00 – Macau 
19:30 – Sessão Sincronário 

16 de agosto (sexta-feira)
15:00 – Macau
17:00 – Tabu
19:00 – Aurora

17 de agosto (sábado)
15:00 – Sessão História no Cinema (Coronel Delmiro Gouveia)
18:00 – Aurora

18 de agosto (domingo)
15:00 – Aurora
17:00 – Tabu
19:00 – Macau


Apoio

terça-feira, 6 de agosto de 2013

COQUETEL DE ABERTURA DA MOSTRA JACQUES RIVETTE


A Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria da Cultura de Porto Alegre, em parceria com a Vai e Vem Produções Culturais, Centro Cultural Banco do Brasil, e com o apoio do Curso de Realização Audiovisual da UNISINOS (em comemoração ao seu 10º aniversário), da Embaixada da França, da Cinemateca da Embaixada da França no Brasil e do Institut Français, convida para coquetel de abertura da mostra: 

JACQUES RIBVETTE - JÁ NÃO SOMOS INOCENTES
dia 6 de agosto de 2013, às 19h
na Sala P. F. Gastal 

Após o coquetel será exibido o filme Não Toque no Machado (Ne Touchez pas la Hache), de Jacques Rivette. França, 2007, 137 minutos, 35mm.





RIVETTE POR MILTON DO PRADO FRANCO


No dia 8 de agosto, após a sessão de Paris nos Pertence (às 20h), o professor Milton do Prado, coordenador do Curso de Realização Audiovisual da Unisinos, que tem um Mestrado sobre Rivette realizado na Universidade de Concordia, no Canadá, participa de um debate com o público sobre a sua obra.





Confira, abaixo, algumas de suas considerações sobre Rivette postadas no Facebook

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Postado em 05/08/2013


Embora uma versão reduzida da mostra produzida por Francis Vogner Dos Reis e cia, trata-se de uma oportunidade única de ver os filmes desse cineasta pouco conhecido da Nouvelle Vague.




Lembro até hoje da experiência marcante de descobri-lo através de uma sessão de Defesa Secreta na Casa de Cultura Mario Quintana, junto ao Fabiano de Souza e ao Eduardo Wannmacher, ali no início do século (naquele dia, pasmem, tínhamos visto dois outros filmes). Por que raios ficávamos tão vidrados com aqueles passeios intermináveis de trem que a Sandrine Bonnaire fazia?



Depois foi a vez de A Religiosa, também em 35mm, na Cinemateca Quebecoise - e ficar espantado com o trabalho de som impressionante do filme, com a Anna Karina etc.

Seguiram outros espantos e outros prazeres: A Bela Intrigante (que resolvi investigar um dia na academia), Paris nos Pertence (que espanto esse filme de estreia), Amor Louco (o filme de casal mais radical já feito?), Céline e Julie (o filme mais prazeiroso de todos os tempos?), Duelle (o filme de fantasia mais livre que existe?), Não Toque no Machado (o filme definitivo sobre o jogo e a encenação da sedução versus regras sociais?).

Todos os filmes de Jacques Rivette são uma experiência única de prazer, de imagem, de encenação, de presença de atores, de câmera, de narrativa. Para quem gosta de cinema, de teatro, de histórias, de gente, de vida.

Venham, amigos de Porto Alegre, habitar por uma semana essa pequena casa de ficção que é o mundo criado por Rivette.

Já não somos inocentes. Assumamos isso e deleitemo-nos.


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Postado em 05/08/2013




Em um antigo blogue, cheguei a postar uma vez uma revisão rápida dos fimes do Rivette.



Aproveito a abertura da mostra HOJE, na Sala P. F. Gastal, para copiar alguns desses textinhos:




Paris nous appartient (1960)

Onde tudo começou: o teatro, as ruas de Paris, a conspiração. É evidentemente um ensaio que seria melhor desenvolvido em filmes posteriores, mas creio que Rivette é excessivamente rigoroso quando fala desse filme. As imagens em P/B do trem (que viriam depois em cores em La bande des quatre e Secret Défence) e dos telhados de Paris são inesquecíveis, assim como a participação do próprio Rivette como um semi-paranóico numa festa.

La Religieuse (1966)
Outra aproximação com o teatro, dessa vez de dentro para fora, e depois para dentro de novo. O filme é uma adaptação de uma peça dirigida pelo próprio Rivette alguns anos antes e reflete (no sentido de fazer uma reflexão sobre) essa influência: mais do que no filme anterior, o jogo de atores em relação à câmera se inspira no teatro para contar a história da garota que foi "emprisionada" no convento pela própria família. O filme passa longe do denuncismo fácil e tem Anna Karina iluminada e um assustador trabalho com o som.



L'Amour fou (1969)
Fãs mais empedermidos de Rivette irão me recriminar por considerar visto um filme na versão reduzida (130 minutos ao invés dos 252), e com razão: ao contrário de outros casos, a versão reduzida desse filme foi feita à revelia do diretor. O resultado é um filme que tropeça em sua primeira meia hora, é confuso em algumas passagens, mas que mantém a força das imagens e da loucura do casal (ele diretor de teatro, ela atriz) que se fecha no apartamento até enlouquecer. Um filme único, um encontre de um diretor e atores em estado de graça. No final, só fica a sensação: se a versão ruim é essa, imagina a boa!!!
* vi a versão de 252 minutos alguns anos depois deste post, o que deixa esse texto meio sem sentido, pois quase nada do que escrevi sobre a primeira meia hora e sobre a confusão se aplica. Talvez o melhor filme do Rivette.

Out 1 - Noli me tangere (1971)
Rivette aproveita uma encomenda para TV e leva ao paroxismo as experimentações de L'Amour fou. Foi tão longe que o filme nunca foi exibido na TV que o encomendou, e passou com quase 13 horas de duração, dividido em 8 partes, numa sessão histórica em Havre. Dois anos depois, Rivette faz uma versão de 4 horas e pouco, com o nome de Out 1 - Spectre, que os que viram dizem tratar realmente de um outro filme. No final dos anos 80, Noli me tangere é recuperado por alguns festivais e TVs, com alguns minutos e uma cena a menos, e o século 21 permitiu algum maluco de partilhar uma exibição da RAI nos emules da vida. O filme é uma experiência radical, possivelmente o mais difícil de se colocar uma cotação aqui. As três primeiras partes são as mais radicais: praticamente assistimos ao ensaio de dois grupos de teatro, e ao esboço de dois personagens fora desses grupos. É a partir do quarto episódio que uma tênue trama se instala, envolvendo um grupo que se inspira nos 13 de Balzac para conspirar contra... contra o que, mesmo? Onde está Igor? Quem está traindo quem? As trupes são elas também um grupo de conspiração? E o filme, pode ser ele também uma forma de conspiração?
* somente a versão de 4 horas, Spectre, é que vai passar na Mostra da PF Gastal.


Céline et Julie vont en bateau (1974)
Rivette dá prosseguimento às experiências com improvisação - tanto que o roteiro do filme é assinado por ele e Eduardo de Gregorio, mas também por Juliet Berto, Dominique Labourier, Bulle Ogier e Marie-France Pisier, todas atrizes no filme - dessa vez optando por um tom oposto ao de Out 1. Não que não haja dor e desespero no filme, mas a tônica dominante que é justamente a da brincadeira e do prazer - prazer do cinema, prazer da encenação, prazer do jogo. Os 20 minutos iniciais dão a pista: não procure a trama, pois ela vai te achar. Só nos resta embarcar no barco das duas recém-amigas e acompanhá-las na história de amor e morte a que elas assistem - e da qual depois elas participam. Alice no País das Maravilhas, Casa Mal-Assombrada, Les Vampires - nos anos 70, esses universos faziam mais sentido para Rivette do que a situação político-social da Paris pós-68.

Duelle (une quarantaine) (1976)
Outro capítulo das Scènes de la vie parallèle. Dessa vez é a história de duas deusas (do sol e da lua) que voltam a terra para duelarem. A forma com que Rivette mistura o mistério policial e o fantástico é exemplar na sua simplicidade, assim como todos os "efeitos especiais" (que estão mais para reinvenção do repertório do cinema fantástico antigo do que qualquer outra coisa). No primeiro encontro entre as duas deusas, um dos travellings mais bonitos de toda a carreira do cineasta. Embora ainda faça parte de sua fase mais experimental, os movimentos de câmera e o trabalho com os atores (os travellings praticamente dançam com eles) já anunciam o que ele iria sedimentar mais adiante.

ARTIGO DE LEONARDO BOMFIM NO JORNAL TABARÉ SOBRE RIVETTE

Reproduzimos abaixo, artigo de Leonardo Bomfim, publicado no site do Jornal Tabaré

Que mistérios tem Rivette?

05/08/2013
por 

O mistério já virou refúgio de quem precisa encontrar alguma palavra para traduzir o cinema de Jacques Rivette. Mas é mesmo difícil pensar em outra coisa diante dos filmes mais inspirados do quinto homem da Nouvelle Vague – sua filmografia ganha menos holofotes que a de seus comparsas Godard, Truffaut, Chabrol e Rohmer, mas não é exagero dizer que as grandes obras-primas do cinema moderno francês estão na caixa de mágicas de Rivette que a Sala P.F. Gastal abrirá a partir de terça-feira.

Talvez seja esse o primeiro mistério: o pouco contato, até mesmo entre o público cinéfilo, com a filmografia de Rivette. Tá certo que a duração dos filmes assusta – duas horas é quase o tempo de um curta-metragem para um cineasta que realizou, entre outros poemas de duração quilométrica, Out 1, noli me tangere (1971), impressionante obra com mais de doze horas sobre conspirações secretas que acontecem na Paris do início dos anos setenta, tendo como norte os ensaios de grupos de teatro que revitalizam de forma bem experimental dois textos de Ésquilo:Prometeu Acorrentado e Sete contra Tebas. Mas a duração não é argumento para que se ignore as obras-primas de Rivette. Basta alguns minutos de projeção pra perceber que aquilo tudo é um verdadeiro jardim das delícias e que às vezes setecentos minutos passam mais rápido que hora e meia.


De qualquer forma, o francês não estende a duração de seus filmes por puro capricho. No belíssimo documentário realizado por Claire Denis, Jacques Rivette, o Vigilante (1990), que será exibido na mostra, o cineasta explica ao crítico Serge Daney, citando uma obra de Frank Capra como exemplo, a impossibilidade de uma história dos anos 1930 ter a mesma duração quarenta anos depois. O mundo muda, a arte de contar histórias também e Rivette tem esse desafio, a utopia de filmar as coisas em transformação, a vida sendo reinventada o tempo todo – justamente o espírito de um filme incrivelmente libertário como Celine e Julie vão de Barco(1974), sobre duas garotas que se encontram por acaso e despertam, a partir da amizade, o gosto pela fantasia nas ruas de Paris.

O segundo mistério certamente é a relação radical com o teatro. Muita gente do cinema foge dele como o diabo foge da cruz – “teatral” até virou termo pejorativo em alguns bandos por herança das vanguardas dos anos 1920 que bradavam pela independência cinematográfica das artes consagradas. Desde o primeiro longa-metragem, Paris nos Pertence (1960), Rivette tomou para si um posto delicado: é o cineasta que mais vai trabalhar as possibilidades entre cinema e teatro num contexto moderno, de rupturas que se amontoam e redefinem, dia após dia, os rumos da arte cinematográfica. Mas existem tantos teatros na obra de Rivette que fica difícil precisar que o mistério esteja aí. De qualquer forma, acende a luz para o grande rapto teatral que a crítica francesa – Rivette na linha de frente – coordenou nos anos 1950: a apropriação do termo mise en scène.
A mise en scène foi a principal arma que os franceses encontraram para chancelar a defesa de um cinema de autor: só o cineasta, afinal, pode ser o dono da mise en scène do filme. Foram tantas as abordagens críticas que o termo até ganhou ares de conceito. Rivette, então crítico da revista Cahiers du Cinéma, foi o responsável de uma porção delas, fugindo sempre de uma claustrofobia teórica. A mise en scène, para alguns críticos mais sistemáticos, era o equivalente cinematográfico da metafísica na filosofia clássica. Para Rivette, cada cineasta tinha sua mise en scène, não havia uma cartilha estética que todo mundo deveria seguir. No final dos anos 1990, em entrevista para um precioso livro sobre ele que a Cinemateca Portuguesa editou, o francês recorda que a importação do termo foi apenas uma vã tentativa de dar um nome ao mistério maior do cinema que os jovens críticos buscavam compreender.
Entre a mise en scène e a paixão pelo teatro, a obra de Rivette tem como marca registrada, especialmente a partir de 1968, a celebração dos encontros. Quantos mundos podem surgir de um simples encontro? Encontro entre as artes, entre ações criadoras, mas também entre amigas que fundam uma sociedade contra a caretice, entre piratas em busca de vingança, entre rivais que duelam por um anel poderoso e por aí vai. É o que aproxima praticamente toda sua obra: os filmes celebrados, Celine e Julie vão de Barco e Um Passeio por Paris (1981), os magníficos fracassos Duelle (1976) e Noroeste (1976) até realizações mais recentes como Paris no Verão(1995) e Quem Sabe? (2001), quando a narrativa em determinado momento chega a transformar em elipse tudo o que não é encontro entre os personagens.
A necessidade dos encontros, do contato entre dois ou mais, é tão grande que em Rivette, quando um casal entra em crise, os personagens dificilmente se isolam, como acontece na obra de um Michelangelo Antonioni, para ficarmos num universo contemporâneo de grande influência. Em Amor Louco (1969), o filme que marca uma guinada importante dentro da trajetória de Rivette, momento em que ele assume sem medo as rupturas do cinema moderno, o casal protagonista se desentende e, tentando acertar as coisas, resolve passar dias trancado dentro de um apartamento que termina maravilhosamente destruído.
Décadas depois, o cineasta faria um manifesto sobre o atrito como potência criadora em A Bela Intrigante (1991), baseado em A Obra-Prima Ignorada, novela de Balzac de 1831 sobre a angústia de um artista que preza pela sua sensibilidade em obra, mesmo que ela se torne um caos de cores, tons e matizes indecisos, uma espécie de neblina sem forma. O filme de Rivette, ao contrário da novela (que é sobre a idealização e a recepção da arte), se dedica à criação do quadro, da tal obra-prima. Durante mais de cinco horas, ficamos mergulhados numa odisseia criativa, do primeiro esboço (aliás, do primeiro encontro entre o pintor e a modelo) até o seu ponto final. Quando a jovem que passara dias imóvel, modelada pelo pintor como um jardim de Monet, percebe que precisa agir, ou seja, deixar de ser modelo, encontramos o melhor comentário sobre como o encontro é fundamental para a criação artística. Define o professor e montador Milton do Prado (que debaterá uma das sessões da mostra em Porto Alegre) em sua dissertação sobre Rivette, “é a partir dessa interação ativa entre o pintor e a modelo que é feita a obra, que a história avança, que os personagens se transformam”. O atrito entre as duas ações criadoras é o que faz a obra-prima acontecer.



Talvez esteja aí o segredo da mise en scène, mas o mistério do cinema de Rivette certamente vai muito além. Contribui para isso o fato de que o francês é um apaixonado por jogos, conspirações, complôs e outras aventuras que Paris oferece de forma naturalmente lúdica. Porque o mistério também está nas ruas e não há nada mais rivettiano que a cidade ocupada, festiva, tomada pela imaginação, como a Porto Alegre do nosso tempo. Pois se há uma única certeza, é a de que os filmes chegaram na hora certa.