sexta-feira, 26 de abril de 2013

A RESISTÊNCIA ÀS DITADURAS MILITARES NA AMÉRICA LATINA EM MOSTRA DE FILMES NA SALA P. F. GASTAL


A Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro recebe entre os dias 30 de abril e 5 de maio uma mostra de filmes sobre a resistência às ditaduras militares na América Latina, que integra a programação da exposição Movimento de Justiça e Direitos Humanos – Onde a Esperança se Refugiou, em cartaz no andar térreo da Usina do Gasômetro desde o dia 25 de abril. A mostra será inaugurada às 19h do dia 30 de abril, com a pré-estreia do documentário inédito Dossiê Jango, de Paulo Henrique Fontenelle.

Entre os destaques da programação, filmes do cineasta Silvio Tendler (homenageado pelo evento) e produções de impacto como Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski.
Toda a programação, que tem o apoio da Programadora Brasil, projeto do Ministério da Cultura destinado à difusão de filmes brasileiros, tem entrada franca.

PROGRAMAÇÃO

Dossiê Jango, de Paulo Henrique Fontenelle (Brasil, 2012, 102 minutos)
Escolha do público do Festival do Rio 2012, o documentário alerta para a necessidade de investigação da morte do presidente e recupera os dias da deposição de João Goulart, seu exílio e morte. Sessão comentada por Christopher Goulart (neto de Jango) e Jair Krischke.






Os Anos JK – Uma Trajetória Política, de Silvio Tendler (Brasil, 1980, 110 minutos)
O filme aborda a história do Brasil: a eleição do presidente Juscelino Kubitschek, o nascimento de Brasília, a renúncia do sucessor Jânio Quadros, a crise política, o golpe militar e a cassação dos direitos políticos de JK. O foco é a trajetória política do “Presidente Bossa Nova”, popular entre os artistas, que propunha a aceleração no desenvolvimento do país rumo à modernidade e à ocupação de um lugar entre as potências mundiais. Referência para estudantes e pesquisadores, o filme já foi visto por 800 mil pessoas e ganhou vários prêmios. Sessão comentada pelos historiadores Francisco Cougo e Solon Viola.






Marighella – Retrato Falado do Guerrilheiro, de Silvio Tendler (Brasil, 2001, 55 minutos)
Deputado constituinte de 1946 e um dos principais dirigentes do partido Comunista, cassado quando o partido foi posto na ilegalidade, Carlos Marighella foi um dos líderes da luta armada contra a ditadura militar no Brasil. Em 1966, ainda no PC, propôs o caminho da guerrilha e por isso foi expulso. Fundou a Ação Libertadora Nacional, primeiro movimento armado pós-64 do país. O filme retrata a trajetória do professor Marighella, do deputado Marighella, do romântico guerreiro Marighella. Mas, acima de tudo, conta a história do homem Marighella.







Utopia e Barbárie, de Silvio Tendler (Brasil, 2010, 120 minutos)
Retrata e interpreta o mundo Pós-Segunda Guerra Mundial e suas transformações, as utopias que nele foram criadas e as barbáries que o pontuaram. Descreve o desmonte das utopias da geração sonhadora de 1968 e analisa a criação de novas utopias nesse mundo globalizado. Sessão comentada pelo diretor Silvio Tendler e por Jair Krischke.


Jango, de Sílvio Tendler (Brasil, 1984, 117 minutos)
O documentário captura a efervescência da política brasileira durante a década de 1960 sob o contexto histórico da Guerra Fria. Jango narra exaustivamente os detalhes do golpe e se estende até os movimentos de resistências à ditadura, terminando com a morte do presidente no exílio e imagens de seu funeral, cuja divulgação foi censurada pelo regime militar. Sessão comentada pelos jornalistas Juremir Machado da Silva e Carlos Alberto Kolecza.


Atletas e Ditadura – A Geração Perdida, de Marco Antonio Villalobos, Marcelo Outeiral e Milton Cougo (Brasil, 2007, 32 minutos)
A vida era mais segura no alto do pódio. Mas eles preferiram descer e enfrentar um adversário que tinha criado as próprias regras do jogo. "Atletas x Ditadura - A Geração Perdida" é um documentário que revela a cruel relação entre o esporte e a ditadura militar na Argentina. Em apenas oito anos de regime (1976-1983), cerca de 30 mil pessoas morreram ou desapareceram. Entre elas, jovens atletas que deixaram as competições para lutar pela liberdade. O ponto de partida é um discurso do Tenente-General Jorge Rafael Videla na despedida da seleção Argentina de rúgbi, que partia para o Campeonato Mundial, em 1978. No momento em que o ditador celebra a equipe como uma "embaixada da liberdade" no exterior, 17 jogadores do La Plata Rugby Club já tinham desaparecido nas mãos de agentes do seu governo. Com depoimentos e imagens inéditas, Atletas x Ditadura - A Geração Perdida mostra também a história de Adriana Acosta, uma jovem revelação do hóquei sobre a grama que desapareceu três dias antes do início da Copa do Mundo de 1978, uma competição que foi claramente usada como arma de manipulação popular pela ditadura. Nesse período, o tenista Daniel Schapira, que chegou a estar entre os 10 melhores do país, foi morto da Escola de Mecânica da Armada (ESMA), a poucas quadras do estádio Monumental de Nuñez, onde a Argentina conquistou seu primeiro título mundial. O documentário mostra, ainda, detalhes da passagem do corredor Miguel Sánchez pelo Brasil. O atleta foi sequestrado em casa dias depois de voltar da Corrida de São Silvestre, em São Paulo. E pode ter sido o primeiro esportista vítima da Operação Condor. São quatro histórias cruéis e envolventes que ajudam a contar uma parte esquecida de um dos períodos mais sombrios da América do Sul. Sessão comentada pelo diretor e jornalista Marco Antonio Villalobos e pelo historiador Ramiro José dos Reis.

Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski (Brasil, 2009, minutos, 93 minutos)
Documentário que foca a vida de Henning Albert Boilesen, ex-presidente da Ultragaz, assassinado pela guerrilha em São Paulo, no dia 15 de abril de 1971. Boilesen, um dinamarquês naturalizado brasileiro, estava intimamente ligado à Operação Bandeirante (Oban), grupo paramilitar criado pelo II Exército para combater os guerrilheiros que lutavam contra a ditadura militar brasileira.

Mundial 78 – Verdad o Mentira, de Christian Remoli (Argentina, 2007, 95 minutos)
Um documentário revelador da verdadeira trama do projeto mais ambicioso da ditadura argentina, a Copa do Mundo da Argentina de 78. Sessão comentada pelo advogado e jornalista Ibsen Pinheiro e pelo jornalista Cláudio Dienstmann. Exibição em espanhol sem legendas.








Programa Memória do Movimento Estudantil


Programa que reúne os médias metragens Ou Ficar a Pátria Livre ou Morrer Pelo Brasil e O Afeto que se Encerra em Nosso Peito Juvenil, ambos dirigidos por Silvio Tendler, que resgatam a memória do movimento estudantil, passando por diversos fatos marcantes da história brasileira, através de depoimentos de militantes e dirigentes de entidades representativas da classe, como Vladimir Palmeira, Rui César, Franklin Martins, e imagens de  arquivo. 

Os dois documentários contam esses 70 anos de história a partir de dois pontos de vista. O primeiro deles, Memória do Movimento Estudantil – Ou Ficar a Pátria Livre ou Morrer pelo Brasil, é focado na história política e faz um percurso cronológico sobre o período.

Já o segundo, Memória do Movimento Estudantil – O Afeto que se Encerra em Nosso Peito Juvenil, é mais subjetivo e explora, nas entrevistas e depoimentos, os aspectos culturais e comportamentais relacionados ao movimento estudantil.







Vale a Pena Sonhar, de Stela Grisotti e Rudi Böhm (Brasil, 2003, 75 minutos)
Retrata os sonhos e utopias de uma geração de homens e mulheres que dedicaram suas vidas à luta pela justiça, liberdade e democracia, tendo como fio condutor a história de Apolônio de Carvalho. Sua luta, sem fronteiras, junto aos republicanos na Guerra Civil Espanhola, na Resistência Francesa contra o nazismo e no combate à ditadura militar no Brasil nos anos 60, assim como fatos da vida cotidiana e familiar do militante de esquerda que assina a ficha número um de filiação do PT.

História de uma Vida Hermana, de Marco Antonio Villalobos, Milton Cougo e Universindo Rodriguez Diaz (Brasil/Uruguai, 2012, 23 minutos)
Ações arriscadas. Perigo. Os crimes enfrentados quando o Condor dominava os céus do Cone Sul da América. A solidariedade vencendo o medo. Duas mil pessoas que encontraram em Porto Alegre o endereço da esperança. A história de uma vida hermana não nos deixa esquecer a lição sobre a importância do reconhecimento. Em cada frase, em cada lembrança, em cada pensamento transborda a gratidão de irmãos uruguaios salvos pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos. São vidas hermanas que como todos os que prezam o sagrado direito à liberdade se juntam para homenagear e dizer em coro: Muchas Gracias, Movimento de Justiça e Direitos Humanos de Porto Alegre. Sessão comentada pelo diretor e jornalista Marco Antonio Villalobos, pelo psiquiatra José Outeiral e pelo repórter cinematográfico Milton Cougo.

GRADE DE HORÁRIOS

30 de abril (terça-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
19:00 – Pré-estreia do documentário Dossiê Jango, de Paulo Henrique Fontenelle, seguida de debate com a participação de Christopher Goulart (neto do Jango) e Jair Krische

1º de maio (quarta-feira)
15:00 – Cidadão Boilesen
17:00 – Os Anos JK – Uma Trajetória Política
19:00 – Os Anos JK – Uma Trajetória Política (exibição seguida de debate com os historiadores Francisco Cougo e Solon Viola)

2 de maio (quinta-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – Marighella – Retrato Falado do Guerrilheiro
19:00 – Utopia e Barbárie (exibição seguida de debate com o diretor Sílvio Tendler e Jair Krische)

3 de maio (sexta-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – Jango
19:00 – Jango (exibição seguida de debate com os jornalistas Juremir Machado da Silva e Carlos Alberto Kolecza)

4 de maio (sábado)
15:00 – Atletas e Ditadura – A Geração Perdida (exibição seguida de debate com o diretor Marco Antonio Villalobos e o historiador Ramiro José dos Reis)
17:00 – Cidadão Boilesen
19:00 – Mundial 78 – Verdad o Mentira (exibição seguida de debate com o advogado e jornalista Ibsen Pinheiro e o jornalista Cláudio Dienstmann

5 de maio (domingo)
15:00 – Programa Memória do Movimento Estudantil
17:00 – Vale a Pena Sonhar
19:00 – História de uma Vida Hermana (exibição seguida de debate com o diretor Marco Antonio Villalobos, o psiquiatra José Outeiral e o repórter cinematográfico Milton Cougo) 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sala P. F. apresenta lançamento de dois curtas gaúchos

Dia 24 de abril, a partir das 20h30, a Sala P. F. Gastal estará lançando 2 curtas metragens de jovens realizadores locais. O primeiro deles, A Entrevista, tem direção de Lucas Cunha enquanto Giordano Tronco dirige o curta O de cima.

A Entrevista (11min)
Sinopse: Pacheco, um homem pacato à procura de um trabalho, está prestes de se meter na entrevista de emprego mais bizarra de sua vida.

Ficha Técnica
Direção: Lucas Cunha
Assistente de direção: Vanessa Alves Torres
Roteiro: Giordano Tronco
Diretor de produção: Giordano Tronco
Direção de arte: Giordano Tronco / Helena Gertz
Produção de elenco: Ian Linck
Produção de locações: Allan Kuwer
Direção de fotografia: Laís Scortegagna
Produção musical: Matheus Vieira
Montagem: Leonardo Pietrowski
Edição de som: Leonardo Pietrowski
Assistente de montagem: Giordano Tronco
Operação de câmera: Vinícius Fernandes
Orientação de Glênio Póvoas e Gustavo Spolidoro

Elenco:
Cristiano Godinho: Pacheco
Douglas Carvalho: Chefe
Daniela Kreling: Sandrinha
Ian Linck: João


O de Cima (12 min)
Sinopse: Douglas é um homem infeliz que tenta o suicídio, mas é impedido na hora H por um anjo. O que parecia ser um final feliz se transforma em confusão, e Douglas é lembrado, de um jeito pouco agradável, que a vida é uma safada que adora pregar peças.

Ficha técnica

Direção: Giordano Tronco
Assistente de direção: Ian Linck, Maurício Salomon, Thiago Cancian
Roteiro: Giordano Tronco
Diretor de produção: Giordano Tronco
Produção: Lorran Perry, Giordano Tronco, Matheus Almeida, Maurício Salomon, Pedro Chaves, Thiago Cancian
Direção de fotografia: Pedro Chaves
Storyboard: Maurício Salomon
Montagem: Pedro Chaves e Giordano Tronco
Edição de som: Giordano Tronco
Operação de câmera: Antonio Filippi de Castro e Pedro Chaves
Microfonistas: Ian Linck, Lorran Perry, Rafael Lunardini

Elenco:
Douglas Carvalho: Douglas
Bruno Krieger: Anjo

ÚLTIMA SEMANA PARA CONFERIR O HUMOR DO GRUPO MONTY PYTHON NA SALA P. F. GASTAL

A resposta positiva de público e os inúmeros pedidos para a sua prorrogação garantiram mais uma semana à mostra dedicada ao grupo de humor inglês Monty Python na Sala P. F. Gastal. Será a chance derradeira para conferir os trabalhos mais marcantes da trupe formada por Eric Idle, John Cleese, Graham Chapman, Michael Palin, Terry Jones e Terry Gilliam.

O Monty Python surgiu na série cômica Monty Python's Flying Circus, um programa de televisão britânico que foi ao ar pela primeira vez em outubro de 1969. Como série televisiva, teve quatro temporadas, num total de 45 episódios. Entretanto o fenômeno Monty Python não se limitou a apenas isso, espalhando-se por shows, filmes, programas de rádio, livros e games, levando seus seis integrantes ao estrelato mundial, especialmente após o sucesso comercial e de crítica de suas investidas cinematográficas. 

A Mostra Monty Python tem o apoio da MPLC Motion Picture Licensing Corporation Brasil, e pode ser conferida até domingo, dia 28 de abril.

 PROGRAMAÇÃO

Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail), de Terry Gilliam e Terry Jones (Inglaterra, 1975, 92 minutos)
A lenda dos Cavaleiros da Távola Redonda e sua jornada em busca do Santa Graal narrada com o humor devastador do grupo de comediantes revelados em um popular programa da televisão inglesa, aqui em sua segunda incursão no cinema – a primeira foi em 1971, com o longa episódico E Agora para Algo Completamente Diferente, nunca lançado nos cinemas brasileiros. Exibição em DVD.

A Vida de Brian (Life of Brian), de Terry Jones (Inglaterra, 1979, 94 minutos)
Uma iconoclasta versão da vida de Cristo, a partir da história de Brian, que nasce no mesmo dia em que o Messias, e passa a vida inteira sendo confundido com ele. Filme que desagradou a Igreja Católica à época de seu lançamento mas conheceu enorme sucesso nas bilheterias do mundo todo. Exibição em DVD.



O Sentido da Vida (The Meaning of Life), de Terry Jones e Terry Gilliam (Inglaterra, 1983, 107 minutos)
Uma hilariante coletânea de sketches que, como o próprio título do filme indica, procura encontrar o sentido da vida humana. A obra-prima do anárquico grupo de comediantes ingleses, reconhecida com o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes em 1983 (premiação que reconhece o segundo melhor filme da competição principal no prestigiado festival francês). Exibição em DVD.

Um Peixe Chamado Wanda (A Fish Called Wanda), de Charles Crichton (Inglaterra, 1988, 108 minutos)
Em Londres, quatro pessoas sem nada em comum planejam cometer um grande golpe. Mas situações inusitadas fazem com que o plano não ocorra conforme o previsto. Comédia de erros que marcou o reencontro de vários membros do grupo depois de vários anos após a sua separação. Um grande êxito de público e crítica, o filme rendeu a Kevin Kline o Oscar de melhor ator coadjuvante em 1989. Exibição em DVD.

GRADE DE HORÁRIOS
23 a 28 de abril de 2013

 23 de abril (terça-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – A Vida de Brian  
19:00 – Um Peixe Chamado Wanda

24 de abril (quarta-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 –Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
20:30 – Lançamento dos curtas-metragem A Entrevista e O de Cima

25 de abril (quinta-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – Um Peixe Chamado Wanda
19:00 – O Sentido da Vida

26 de abril (sexta-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – O Sentido da Vida
19:00 – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado

27 de abril (sábado)
15:00 – Palestras do evento Movimento Hot Spot
17:00 – Monthy Python em Busca do Cálice Sagrado
19:00 – A Vida de Brian

28 de abril (domingo)
15:00 – Palestras do evento Movimento Hot Spot
17:00 – O Sentido da Vida
19:00 – Um Peixe Chamado Wanda

Apoio

quinta-feira, 18 de abril de 2013

SESSÃO AURORA APRESENTA DE PUNHOS CERRADOS, DE MARCO BELLOCCHIO

A Sessão Aurora apresenta neste sábado, 20, às 18h00, na Sala P. F. Gastal, o filme De Punhos Cerrados (1965), longa-metragem de estreia do diretor italiano Marco Bellocchio. Após a sessão, haverá um debate com os editores da revista Aurora. A sessão também marca o lançamento do segundo número do Zinematógrafo, fanzine de cinema que o grupo produz e distribui gratuitamente em vários pontos da cidade. A entrada é franca.

Dos mais emblemáticos do jovem cinema dos anos 1960, o filme conta a história de uma família italiana de classe média que vive em meio a uma série de conflitos internos que, aos poucos, vão despedaçando a própria ideia da família enquanto instituidora de certa ordem social. A relação dos irmãos Alessandro e Augusto com a mãe e com a irmã Giulia transita entre a fraternidade e o crime, num espaço em que todos parecem cadavéricos, lutando contra um mundo fechado em sua deficiência. A crítica que o filme faz à moral familiar, tema caro a Bellocchio, se mistura com a questão religiosa, precisamente porque elas fazem parte desse caldo histórico de uma Itália cristã profundamente conectada com a Igreja.
Realizado logo após a conclusão de seus estudos em direção de cinema, quando o cineasta tinha apenas 26 anos, De Punhos Cerrados é um filme bastante atento às transformações sociais e culturais que ocorriam na Europa durante os anos 1960. Bellocchio nasce pro cinema convocando o espectador a respirar desse ar corrente: as contradições políticas são mediadas em um cinema que aposta na dialética, colocando em exposição às contradições da sociedade, filmando o que seria “o inferno por dentro”, como ele próprio define, mas sem perder a forma, que para o italiano é o princípio cinematográfico básico".

De Punhos Cerrados. Itália, 1965, p&b, 105 minutos. Direção: Marco Bellocchio. Com Lou Castel, Paola Pitagora, Marino Masé, Liliana Gerace, Stefania Troglio, Jeannie McNeil. 
O filme será exibido em DVD com legendas em português.

domingo, 14 de abril de 2013

SALA P. F. GASTAL SEGUE EXIBINDO MOSTRA DEDICADA AO GRUPO MONTY PYTHON, COM NOVAS ATRAÇÕES

Devido à boa resposta de público e a inúmeros pedidos para a sua prorrogação, a Sala P. F. Gastal mantém em cartaz durante a próxima semana a mostra dedicada ao grupo de humoristas ingleses Monty Python, exibindo os três filmes mais marcantes de sua carreira: Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (1975), A Vida de Brian (1979) e O Sentido da Vida (1983). Além destes trabalhos, a mostra será complementada pela exibição de dois programas com uma seleção de sketches da série Monty Python's Flying Circus, que revelou o grupo, além do longa-metragem Um Peixe Chamado Wanda (1988), que marcou o reencontro de alguns membros do grupo após a sua dissolução. Também será exibido Monty Python ao Vivo no Hollywood Bowl (1982), registro da lendária apresentação do grupo de humoristas no Hollywood Bowl, na qual sketches clássicos do programa de TV Monty Python’s Flying Circus e material inédito foram apresentados ao vivo no palco, de forma ainda mais hilária e nonsense.

Formado por Eric Idle, John Cleese, Graham Chapman, Michael Palin, Terry Jones e Terry Gilliam, o Monty Python surgiu na série cômicaMonty Python's Flying Circus, um programa de televisão britânico que foi ao ar pela primeira vez em outubro de 1969. Como série televisiva, teve quatro temporadas, num total de 45 episódios. Entretanto o fenômeno Monty Python não se limitou a apenas isso, espalhando-se por shows, filmes, programas de rádio, livros e games, levando seus seis integrantes ao estrelato mundial, especialmente após o sucesso comercial e de crítica de suas investidas cinematográficas.

A Mostra Monty Python tem o apoio da MPLC Motion Picture Licensing Corporation Brasil, e pode ser conferida até domingo, dia 21 de abril.

PROGRAMAÇÃO



Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail), de Terry Gilliam e Terry Jones (Inglaterra, 1975, 92 minutos)
A lenda dos Cavaleiros da Távola Redonda e sua jornada em busca do Santa Graal narrada com o humor devastador do grupo de comediantes revelados em um popular programa da televisão inglesa, aqui em sua segunda incursão no cinema – a primeira foi em 1971, com o longa episódico E Agora para Algo Completamente Diferente, nunca lançado nos cinemas brasileiros. Exibição em DVD.

A Vida de Brian (Life of Brian), de Terry Jones (Inglaterra, 1979, 94 minutos)
Uma iconoclasta versão da vida de Cristo, a partir da história de Brian, que nasce no mesmo dia em que o Messias, e passa a vida inteira sendo confundido com ele. Filme que desagradou a Igreja Católica à época de seu lançamento mas conheceu enorme sucesso nas bilheterias do mundo todo. Exibição em DVD.


O Sentido da Vida (The Meaning of Life), de Terry Jones e Terry Gilliam (Inglaterra, 1983, 107 minutos)
Uma hilariante coletânea de sketches que, como o próprio título do filme indica, procura encontrar o sentido da vida humana. A obra-prima do anárquico grupo de comediantes ingleses, reconhecida com o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes em 1983 (premiação que reconhece o segundo melhor filme da competição principal no prestigiado festival francês). Exibição em DVD.


Monty Python’s Flying Circus - Volume 01, de Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin (Inglaterra, 1969, 90 minutos)
Entre 1969 e 1974 o Monty Python colocou de pernas para o ar a televisão britânica com seu estilo anárquico e nonsense. O grupo acabaria se tornando uma referência contundente na comédia mundial, influenciando até mesmo programas humorísticos brasileiros como extinto TV Pirata e o atual Porta dos Fundos. O Volume 1 apresenta quadros clássicos da primeira temporada da série Flying Circus. Exibição em DVD.



Monty Python’s Flying Circus - Volume 02, de Graham Chapman, John Cleese, Terry Gilliam, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin. (Inglaterra, 1970, 90 minutos)
Entre 1969 e 1974 o Monty Python colocou de pernas para o ar a televisão britânica com seu estilo anárquico e nonsense. A segunda temporada da famigerada série Flying Circus está repleta de sketches de humor ainda mais hilários e alucinados. Exibição em DVD.



Um Peixe Chamado Wanda (A Fish Called Wanda), de Charles Crichton (Inglaterra, 1988, 108 minutos)
Em Londres, quatro pessoas sem nada em comum planejam cometer um grande golpe. Mas situações inusitadas fazem com que o plano não ocorra conforme o previsto. Comédia de erros escrita e estrelada por John Cleese, com a participação de Michael Palin, outro membro remanescente da trupe Monty Python. O filme rendeu a Kevin Kline o Oscar de melhor ator coadjuvante em 1989. Exibição em DVD.


Monty Python ao Vivo no Hollywood Bowl (Monty Python Live at the Hollywood Bowl), de Terry Hughes e Ian MacNaughton (EUA, 1982, 77 minutos)
Lendária apresentação do anárquico grupo de humoristas ingleses no Hollywood Bowl. Sketches clássicos do programa de TV Monty Python’sFlying Circus e material inédito desfilam no palco de forma ainda mais hilária e nonsense.



NOVA GRADE DE HORÁRIOS
DE 16 A 21 DE ABRIL

16 de abril (terça-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado / 92 minutos
19:00 – Monty Python ao Vivo no Hollywood Bowl / 77 minutos

17 de abril (quarta-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – A Vida de Brian / 94 minutos
19:00 – Monty Python’s Flying Circus Volume 1. / 90 minutos

18 de abril (quinta-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – O Sentido da Vida / 107 minutos
19:00 – Monty Python’s Flying Circus Volume 2. / 90 minutos

19 de abril (sexta-feira)
14:30 – 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado / 92 minutos
19:00 – Um Peixe Chamado Wanda / 108 minutos

 20 de abril (sábado)
15:00 – Monty Python ao Vivo no Hollywood Bowl / 77 minutos
18:00 – Sessão Aurora (aguarde divulgação)

 21 de abril (domingo)
15:00 – Monty Python’s Flying Circus Volume 1. / 90 minutos
17:00 – Um Peixe Chamado Wanda / 108 minutos
19:00 – Monty Python’s Flying Circus Volume 2. / 90 minutos

Apoio

sexta-feira, 5 de abril de 2013

SALA P. F. GASTAL EXIBE MOSTRA DEDICADA AO GRUPO MONTY PYTHON


A Sala P. F. Gastal exibe a partir de terça-feira, 9 de abril, uma pequena mostra dedicada ao célebre grupo de humoristas inglês Monty Python, exibindo os três filmes mais marcantes de sua carreira: Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (1975), A Vida de Brian (1979) e O Sentido da Vida (1983).

Formado por Eric Idle, John Cleese, Graham Chapman, Michael Palin, Terry Jones e Terry Gilliam, o Monty Python surgiu na série cômica Monty Python's Flying Circus, um programa de televisão britânico que foi ao ar pela primeira vez em outubro de 1969. Como série televisiva, teve quatro temporadas, num total de 45 episódios. Entretanto o fenômeno Monty Python não se limitou a apenas isso, espalhando-se por shows, filmes, programas de rádio, livros e games, levando seus seis integrantes ao estrelato mundial, especialmente após o sucesso comercial e de crítica de suas investidas cinematográficas.

A Mostra Monty Python tem o apoio da MPLC Motion Picture Licensing Corporation Brasil, e pode ser conferida até domingo, dia 14 de abril.

Na sexta-feira, 12 de abril, às 19h30, o cinema da Usina do Gasômetro realiza a sessão de pré-estreia do curta-metagem de animação Ed, para equipe e convidados.

PROGRAMAÇÃO

Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail), de Terry Gilliam e Terry Jones (Inglaterra, 1975, 92 minutos)
A lenda dos Cavaleiros da Távola Redonda e sua jornada em busca do Santa Graal narrada com o humor devastador do grupo de comediantes revelados em um popular programa da televisão inglesa, aqui em sua segunda incursão no cinema – a primeira foi em 1971, com o longa episódico E Agora para Algo Completamente Diferente, nunca lançado nos cinemas brasileiros. Exibição em DVD.

A Vida de Brian (Life of Brian), de Terry Jones (Inglaterra, 1979, 94 minutos)
Uma iconoclasta versão da vida de Cristo, a partir da história de Brian, que nasce no mesmo dia em que o Messias, e passa a vida inteira sendo confundido com ele. Filme que desagradou a Igreja Católica à época de seu lançamento mas conheceu enorme sucesso nas bilheterias do mundo todo. Exibição em DVD.
  
O Sentido da Vida (The Meaning of Life), de Terry Jones e Terry Gilliam (Inglaterra, 1983, 107 minutos)
Uma hilariante coletânea de sketches que, como o próprio título do filme indica, procura encontrar o sentido da vida humana. A obra-prima do anárquico grupo de comediantes ingleses, reconhecida com o Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes em 1983 (premiação que reconhece o segundo melhor filme da competição principal no prestigiado festival francês). Exibição em DVD.

 GRADE DE HORÁRIOS
Semana de 9 a 14 de abril de 2013

9 de abril (terça-feira)
14:00 – Sessões preparatórias 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
19:00 – O Sentido da Vida

10 de abril (quarta-feira)
14:00 – Sessões preparatórias 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – A Vida de Brian
19:00 – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado

11 de abril (quinta-feira)
14:00 – Sessões preparatórias 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – O Sentido da Vida
19:00 – A Vida de Brian

12 de abril (sexta-feira)
14:00 – Sessões preparatórias 5º Festival Escolar de Cinema (sessão fechada)
17:00 – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
19:30 – Coquetel de lançamento do curta Ed (sessão fechada para equipe e convidados)

13 de abril (sábado)
15:00 – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
17:00 – O Sentido da Vida
19:00 – A Vida de Brian

14 de abril (domingo)
15:00 – A Vida de Brian
17:00 – Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
19:00 – O Sentido da Vida

Apoio

quarta-feira, 3 de abril de 2013

V Festival Escolar de Cinema se aproxima

Entre os dias 16 de abril e 17 de maio acontece em Porto Alegre a quinta edição do Festival Escolar de Cinema, que este ano irá dividir suas sessões entre a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) e o CineBancários. O Festival Escolar de Cinema é um dos principais eixos do Programa de Alfabetização Audiovisual, um conjunto de ações visando aproximar a arte cinematográfica do ambiente escolar, realizado pelas secretarias municipais de Cultura e Educação em parceria com a UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul e financiado pelo Governo Federal através do programa Mais Educação. A iniciativa tem produzido importantes discussões entre os alunos e a reflexão por parte dos professores de formas de acessar e até mesmo produzir audiovisual no universo da Escola Pública. A educação do olhar através da experiência cinematográfica, criando espectadores com repertório e principalmente com capacidade crítica, é o principal objetivo deste programa.



Este ano o Festival Escolar de Cinema vem com novidades. A primeira é que a sua programação acontecerá simultaneamente em duas salas de cinema, a Sala P. F. Gastal, na Usina do Gasômetro, e o CineBancários, na General Câmara. A outra mudança diz respeito à participação – pela primeira vez – de turmas do Ensino Médio de escolas da Rede Estadual de Ensino, que contarão com programação especial, voltada para a sua faixa etária. Esta ampliação irá aumentar em cerca de 50% o número de estudantes atingidos pelo projeto, que este ano deve alcançar cerca de 8 mil alunos. 

Na semana anterior à programação regular do Festival serão oferecidas sessões preparatórias para os professores, que terão a oportunidade de assistir em primeira mão aos filmes que serão exibidos aos estudantes, além de debater sobre possibilidades de trabalhos em sala de aula. Como costuma acontecer, o Festival Escolar de Cinema disponibiliza transporte gratuito aos estudantes agendados para as sessões, que também têm entrada franca.

Detalhes do Projeto de Alfabetização e do Festival disponíveis no blog

Raros exibidos em 2012



No ano de 2012, foram exibidos os seguintes filmes:


Dia 27 de abril, foi realizada a primeira edição do ano do já tradicional projeto Raros, que retornou homenageando um dos grandes ícones da comédia italiana, Mario Monicelli, com a exibição de A Moça com a Pistola (La Ragazza con la Pistola / 1968).
Durante os anos 60, Assunta (Monica Vitti) é uma típica habitante de um vilarejo siciliano onde imperam rígidas e arcaicas tradições familiares. Após ser raptada, seduzida e abandonada por Vincenzo (Carlo Giuffrè), Assunta é obrigada pela família a lavar sua honra com sangue. Munida com uma velha pistola ela empreenderá uma incansável perseguição ao amante fugitivo; sua busca a levará até a Inglaterra, em plena efervescência da Swinging London. Os conflitos culturais entre a modernidade de uma metrópole inglesa e um vilarejo da Sicília colocam Assunta em situações cômicas e inusitadas, que afetarão sua visão de mundo, assim como sua relação com os homens que cruzam seu caminho. Monica Vitti brilha intensamente no papel da histérica, atrapalhada e obstinada moça em busca de vingança. Como bem observou o crítico francês Luc Moullet, “a musa de Antonioni nunca esteve mais à vontade que sob a direção de Monicelli”.
Após anos de luta contra um câncer, Mario Monicelli cometeu suicídio em novembro de 2010, aos 95 anos de idade, saltando da janela de um hospital em Roma. Deixou como legado obras que marcaram época e definiram um estilo peculiar que influenciou as comédias italianas, um humor cruel, estridente e repleto de melancolia, que pode ser visto em filmes como Os Eternos Desconhecidos (1958), O Incrível Exército de Brancaleone (1966) e Meus Caros Amigos (1975).
A Moça com a Pistola (La Ragazza con la Pistola/ Itália / 1968), de Mario Monicelli. Com Monica Vitti, Carlo Giuffrè e Stanley Baker. Duração: 100 minutos.
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Dia 29 de junho,  uma sessão especial do projeto Raros, exibiu Filme Demência, de Carlos Reichenbach. 
A sessão, que prestou homenagem à memória do grande cineasta brasileiro há pouco falecido, exibiu justamente aquele que ele próprio considerava seu melhor filme, numa edição do já tradicional projeto da Sala P. F. Gastal – criado em maio de 2003 – de exibição de filmes raros e do qual Carlão (como costumava ser chamado por seus amigos e admiradores) era um entusiasta, tendo lhe inspirado inclusive a realização das populares Sessões do Comodoro, no Cinesesc de São Paulo. Colaborador do Raros, com o qual contribuía enviando vários filmes, Reichenbach foi o convidado especial da edição número 100 do projeto, realizada há 5 anos, em 22 de junho de 2007. Na ocasião, Reichenbach participou de uma sessão histórica, exibindo uma versão restaurada de seu clássico Lilian M – Relatório Confidencial (1975).
A trama de Filme Demência, escrita em conjunto com o crítico de cinema Inácio Araújo, acompanha a trajetória de Fausto, um industrial à beira da falência que num momento de crise rompe seus  laços familiares e munido de uma arma mergulha na noite de São Paulo em busca de um paraíso imaginário. Trata-se de uma livre adaptação do Fausto de Goethe, transposto para a realidade brasileira. O filme conquistou o prêmio de melhor direção para Reichenbach no Festival de Gramado e marcou um momento de virada em sua carreira. No ano seguinte, no mesmo Festival de Gramado, Reichenbach receberia o Kikito de melhor filme com Anjos do Arrabalde, consolidando sua reputação como um dos principais nomes do cinema de autor no país. 
A sessão de Filme Demência foi comentada pelo jornalista Carlos Thomaz Albornoz e pelo montador e professor de cinema Milton do Prado, dois dos maiores amigos e admiradores de Reichenbach em Porto Alegre (Albornoz chegou a atuar em Bens Confiscados, que Carlão rodou no litoral gaúcho).
Filme Demência foi exibido numa cópia em DVD da Programadora Brasil, projeto de difusão de filmes brasileiros do Ministério da Cultura. A sessão tem entrada franca.
Filme Demência, de Carlos Reichenbach. Brasil, 1985. Com Ênio Gonçalves, Imara Reis, Emílio Di Biasi e Orlando Parolini. Duração: 90 minutos
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13 de Julho, um especial sexta-feira 13 apresentou o clássico gore oitentista Pavor na Cidade dos Zumbis (Paura nella Città dei Morti Viventi), do lendário diretor italiano Lucio Fulci. A sessão teve entrada franca e foi comentada pelo jornalista Carlos Thomaz Albornoz.
Na misteriosa cidade de Dunwich, um padre comete suicídio num antigo cemitério, desencadeando uma profecia que culminará com a abertura dos sete portais do inferno. No mesmo instante em Nova Iorque, durante uma sessão mediúnica, a jovem sensitiva Mary (Catriona MacColl) tem um colapso após ter visões de um futuro apocalíptico, onde os mortos retornam das regiões infernais para subjugar a terra. Auxiliada por Peter (Christopher George), um jornalista obstinado, Mary viaja para Dunwich na tentativa de evitar que a profecia se concretize.
A partir de Pavor na Cidade dos Zumbis o diretor Lucio Fulci romperia com a narrativa tradicional para elaborar uma trilogia (com a presença de MacColl) onde a razão seria sobrepujada pela lógica de um universo onírico macabro. Essa atmosfera de pesadelo, em que a narrativa formal é substituída por uma estrutura delirante, seria complementada com os filmes A Casa do Além (L’Aldilà, 1981) e A Casa do Cemitério (Quella Villa Accanto al Cimitero, 1981).
Pavor na Cidade dos Zumbis (Paura nella Città dei Morti Viventi). Itália, 1980, cor, 93 minutos. Direção: Lucio Fulci. Com: Catriona MacColl, Christopher George, Carlo De Mejo e Giovanni Lombardo Radice.
  
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Dia 17 de agosto o Projeto Raros apresentou  A Outra Face da Violência (Rolling Thunder, EUA, 1977),  diirigido por John Flynn, e roteirizado pelo lendário Paul Schrader (Taxi Driver, Touro Indomável), A Outra Face da Violência  narra uma emblemática e cruel trama de vingança numa América setentista pós Vietnam.
O Major Charles Rane (Willian Devane) retorna para casa como herói de guerra após passar anos como prisioneiro no Vietnam. Em seu amargo retorno ele encontra sua esposa amando outro homem, um filho pequeno para o qual é um completo estranho, e um país em crise, sofrendo a ressaca moral e financeira de uma guerra sem sentido. Charles Rane é um homem sem perspectivas, um estranho no ninho tentando se reintegrar à sociedade longe da crueldade dos campos de batalha. Mas a violência o persegue como uma sombra, e quando um grupo de marginais invade a sua casa em busca de dinheiro, deixando-o aleijado após uma sessão de torturas, e matando cruelmente sua esposa e o filho que mal teve a chance de conhecer, a única coisa que parece fazer sentido em sua vida é o desejo de vingança. Acompanhado de um amigo neurótico de guerra, interpretado por um jovem Tommy Lee Jones, e por uma garçonete intempestiva (Linda Haynes),  o Major Rane empreende uma violenta busca pelos assassinos.
Embalado pelo sucesso de Taxi Driver, o roteirista Paul Schrader vendeu para a Twentieth Century-Fox uma história de vingança onde poderia continuar explorando suas obsessões a respeito da crueldade humana, com seus personagens marginais e anti-heróis em situações limítrofes. Os executivos ficaram chocados, alegando que o resultando final havia ficado violento demais para ser distribuído pela Twentieth Century-Fox, e assim a produção acabou sendo vendida para a mítica distribuidora de filmes B American International Pictures, de Samuel Z. Arkoff.  Mesmo com a distribuição limitada o filme fez relativo sucesso sendo exibido principalmente em cinemas drive in e nas típicas sessõesgrindhouse da época, chegando a ser citado na lista dos dez melhores filmes de 1977 organizada pelo notório crítico de cinema Gene Siskel.
Recentemente A Outra Face da Violência acabou incluído na seleção pessoal compilada por Quentin Tarantino para a tradicional revista Sight & Sound, que a cada dez anos desde 1952 publica uma lista com os dez melhores filmes de todos os tempos. A paixão de Tarantino pelo filme de John Flynn o levou a batizar a sua distribuidora de filmes independentes de Rolling Thunder.
Uma obra conturbada e seminal de um período em que o cinema americano começava a questionar criticamente o conflito do Vietnam e seus efeitos colaterais. Enquanto o país tentava se reerguer e compreender o fracasso desta empreitada, Paul Schrader direcionava suas armas para a própria sociedade americana, como se apontasse a raiz do mal. Sobre Schrader, o folclórico diretor John Millius comentou certa vez: “Se existe um psicótico a quem não se deve nunca vender uma arma, esse é Paul Schrader”.
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Dia 16 de novembro foi exibida a produção denunsploitation japonesa School of The Holy Beast (Seijû Gakuen), de 1974.
School of The Holy Beast, como é conhecido internacionalmente Seijû Gakuen, é um dos mais curiosos exemplares deste subgênero, seja pela sua beleza plástica ou por se tratar de uma obra advinda de um país oriental onde a influência do catolicismo é praticamente nula em sua cultura. Realizado no Japão por Noribumi Suzuki durante a efervescência dos chamados pinku eiga (filmes cor-de-rosa), thrillers repletos de erotismo e violência protagonizados por mulheres, School of The Holy Beast mistura religiosidade à fórmula praticada pelo cinema erótico japonês, gerando uma obra peculiar, cruel, herética e repleta de estilo. Não faltam em sua estrutura regras básicas para o exercício do gênero, blasfêmias, torturas brutais, lesbianismo, histeria sexual, uma madre superiora sádica, e muita nudez.
School of the Holy Beast (Seijû Gakuen), de Noribumi Suzuki. Japão, 1974. Duração: 91 minutos. Classificação indicativa: 18 anos.
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 Bar Esperança, o Último que Fecha, de Hugo Carvana foi apresentado na sessão do dia 7 de dezembro, com o apoio da Programadora Brasil, projeto de difusão de filmes brasileiros do Ministério da Cultura.
Realizado em 1983, em pleno período de transição democrática no Brasil, o filme de Hugo Carvana retrata com sensibilidade extrema os dilemas no universo da classe média carioca de então. Nesse contexto, um bar chamado Esperança é o epicentro da vida de seus frequentadores, por onde circulam as primeiras gerações criadas no divórcio, filhos de uma classe artística constantemente dividida entre seus desejos de criação e a necessidade de ganhar a vida. Ganhador dos prêmios de melhor filme no Festival de Havana e de melhor atriz (Marília Pêra), atriz coadjuvante (Sylvia Bandeira) e roteiro no Festival de Gramado, o terceiro longa dirigido por Carvana é dos mais exatos retratos de seu lugar e de seu tempo.
A sessão foi comentada pelo cineasta e crítico de cinema Fabiano de Souza.Bar Esperança, o Último que Fecha, de Hugo Carvana. Brasil, 1983. Com Marília Pêra, Hugo Carvana, Sylvia Bandeira, Paulo César Pereio e Antônio Pedro. Duração: 119 minutos. Exibição em DVD.