sexta-feira, 29 de novembro de 2013

HOMENAGEM A VÉRA CLOUZOT NA SALA P.F. GASTAL

Esposa e musa de Henri-Georges Clouzot, um dos grandes nomes do cinema clássico francês, a brasileira Véra Clouzot completaria cem anos em 2013. Entre os dias 3 e 12 de dezembro, a Sala P.F. Gastal homenageia a atriz e exibe O Salário do Medo e As Diabólicas, além de A Verdade, filme que conta com sua contribuição no roteiro. O ciclo ainda apresenta uma cópia em 35mm de Ciúme – O Inferno do Amor Possessivo, de Claude Chabrol, adaptação do roteiro de Inferno, célebre filme inacabado de Clouzot de 1964.

Vera Gibson Amado, filha de Gilberto Amado com Alice do Rego Barros Gibson, nasceu em 1913 no Rio de Janeiro. Em 1941 conheceu o ator francês Léo Lapara, membro da companhia de teatro de Louis Jouvet que excursionava no país durante a Segunda Guerra. Vera casou-se com o ator, participando da turnê da companhia na América do Sul que durou quase quatro anos. Após a Segunda Guerra Mundial, Vera se estabeleceu em Paris. Louis Jouvet assumiu a direção do Teatro Athenée, enquanto ela continuou a fazer pequenos papéis. Em 1947, quando Lapara desempenhava um papel no filme Crime em Paris, Vera conheceu o cineasta Henri-Georges Clouzot. No ano seguinte, os dois já estavam casados, iniciando uma parceria amorosa e profissional que rendeu alguns clássicos do cinema francês.       

Em maio de 1950, Clouzot e Vera vieram ao Brasil. O cineasta francês pretendia fazer um filme em um ano, mas acabou realizando uma reportagem para a Paris Match sobre o candomblé, As possuídas da Bahia, publicada em maio de 1951 como uma parte exclusiva de um livro que Clouzot lançaria posteriormente. Vera Clouzot atuou nos filmes O Salário do Medo (1953), com Yves Montand e As Diabólicas(1955), com Simone Signoret, e o raro Os Espiões (1957). Morreu aos 46 anos, em 1960, vítima de um ataque cardíaco. Ainda colaborou no roteiro de A Verdade (1960), filme de Clouzot protagonizado por Brigitte Bardot. A exibição do filme Ciúme – O Inferno do Amor Possessivo é uma parceria da Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia com a Embaixada da França, a Cinemateca da Embaixada da França no Brasil e o Institut Français.

 GRADE DE PROGRAMAÇÃO
3 a 12 de dezembro de 2013-11-28


O Salário do Medo (Le Salaire de la Peur), de Henri-Georges Clouzot (França/1953/156 minutos)
Quatro homens desempregados e miseráveis, que vivem em condições quase desumanas em um pequeno vilarejo da Guatemala, aceitam uma perigosa e desafiadora missão: transportar uma carga altamente explosiva de nitroglicerina em caminhões sem nenhuma estrutura para tanto, ao longo de estradas em péssimas condições. Filme vencedor da Palma de Ouro e do Urso de Ouro, respectivamente, prêmios dados no festival de Cannes e de Berlin. Exibição em DVD.




As Diabólicas (Les Diaboliques), de Henri-Georges Clouzot (França/1955/114 minutos)
Christina é uma rica herdeira, proprietária e professora de um colégio, cuja administração acha-se a cargo de seu marido, Michel. Ele dirige o colégio com mãos de ferro, bate na mulher, a humilha, serve comida estragada no refeitório, é odiado por todos, professores e alunos, além de ser amante de Nicole, uma das professoras. Exibição em DVD.




A Verdade (La Vérité), de Henri-Georges Clouzot (França/1960/130 minutos)
Dominique Marceau (Brigitte Bardot) é julgada pela morte de seu amante Gilbert Tellier (Samy Frey) e aos poucos, durante o processo, todos os ângulos da imagem da ré começam a aparecer, de acordo com o ponto de vista de sete testemunhas do caso, cada qual com a sua própria verdade definitiva. Exibição em DVD.






Ciúme – O Inferno do Amor Possessivo (L'enfer), de Claude Chabrol (França/1994/100 minutos)
Paul e Nelly formam um casal jovem, bonito e cheio de vida. Até que o fantasma da traição cai como uma sombra sobre Paul, que passa a duvidar da esposa, sem saber se trata-se de paranóia ou realidade. Exibição em 35mm.







GRADE DE HORÁRIOS
3 a 12 de dezembro de 2013

3 de dezembro (terça-feira)
16:00 – As Diabólicas
19:00 – O Salário do Medo

4 de dezembro (quarta-feira)
16:00 – A Verdade
19:00 – Ciúme - O Inferno do Amor Possessivo

5 de dezembro (quinta-feira)
16:00 – O Salário do Medo
19:00 – As Diabólicas

6 de dezembro (sexta-feira)
16:00 – A Verdade
20:00 – Performance Audiovisual de Tomaz Klotzel

7 de dezembro (sábado)
16:00 – As Diabólicas
19:00 – Lançamento do curta-metragem Os Meninos Perdidos, de Giordano Gio

8 de dezembro (domingo)
16:00 – Ciúme - O Inferno do Amor Possessivo
19:00 – O Salário do Medo

10 de dezembro (terça-feira)
16:00 – As Diabólicas
20:30 – Sessão Plataforma (Avanti Popolo, de Michael Wahrmann)

11 de dezembro (quarta-feira)
16:00 –  A Verdade
19:30 – Mostra Verte Filmes

12 de dezembro (quinta-feira)
16:00 – Ciúme - O Inferno do Amor Possessivo
20:30 – Sessão Plataforma (O Ato de Matar, de Joshua Oppenheimer)

Apoio

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

AQUECENDO O DEMOCRACINE - MOSTRA LATINIDADES - PROGRAMAÇÃO

PROGRAMAÇÃO - SALA P. F. GASTAL

26 de novembro (terça-feira)

19:00 – Programação de abertura, com a exibição do documentário Mataram Meu Irmão, seguida de debate com o diretor Cristiano Burlan

Iracema, uma Transa Amazônica

27 de novembro (quarta-feira)

15:00 – Mostra Latinidades (Programa Diversidade Sexual 1, com os curtas Flores de 70, Amanda & Monick e Eu Não Quero Voltar Sozinho) – 62min

17:00 – Mostra Latinidades (Programa Vídeo nas Aldeias, com os curtas Nguné Elü – O Dia em que a Lua Menstruou, De Volta à Terra Boa, Prîara Jô – Depois do Ovo, a Guerra e Huni Meka – Os Cantos do Cipó) – 88min

19:00 – Mostra Latinidades (Iracema, uma Transa Amazônica) – 90min
  
Cartas da Mãe

28 de novembro (quinta-feira)

15:00 – Mostra Latinidades (Programa Anos de Chumbo, com os curtas Fênix, Cartas da Mãe, Várias Vidas de Joana e Memórias Finais da República de Fardas) – 87 min

17:00 – Mostra Latinidades (Programa Questão Agrária, com o curta Estado de Seca e o longa Mais que a Terra) – 94 min

19:00 – Mostra Latinidades (Programa Histórias do Sindicalismo, com os curtas ABC Brasil, Greve! e Greve de Março) – 90 min

 
Vlado - 30 anos depois
29 de novembro (sexta-feira)

15:00 – Mostra Latinidades (Vlado, 30 Anos Depois)

18:00 – Mostra Latinidades, com projeção do filme Outro Olhar – Saúde da População Negra, seguida pela roda de conversa A Saúde da População Negra na América Latina, dinamizada pelos agentes de saúde Carla Beatriz Rodrigues, Junara Ferreira, e Guaraci Bonfim e pela pesquisadora Laura Cecília Lopes

20:00 – Sopapo Poético Afro-latino, sarau cultural com declamação de poesias, projeção de vídeos, dança, samba de roda e percussão, dinamizados por Mestre Renato Capoeira (Malta), Vera Lopes, Augusto Cezar Santos (TvNagô) e B-boy Juquinha (ACO)
  

30 de novembro (sábado)

16:00 – Mostra das oficinas da Descentralização da Cultura (até 19h)

20:00 – Lançamento do DVD do filme Tempo Sem Glória, de Henrique de Freitas Lima – 100 min


31 de novembro (domingo)

15:00 – Mostra Latinidades (O Bravo Guerreiro) – 80 min

17:00 – Mostra Latinidades (Cabra Marcado para Morrer) – 119 min

19:00 – Mostra Latinidades (Programa Diversidade Sexual 2, com os curtas Alguma Coisa Assim, Um Clássico, Dois em Casa, Nenhum Jogo Fora, O Amor do Palhaço, Os Sapatos de Aristeu, Felizes para Sempre, Depois de Tudo e Ópera Curta) – 107 min

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

VENCEDOR DO FESTIVAL É TUDO VERDADE ABRE PROGRAMAÇÃO DO AQUECENDO O DEMOCRACINE NA SALA P. F. GASTAL

Grande vencedor da última edição do festival É Tudo Verdade, o documentário Mataram Meu Irmão, de Cristiano Burlan, abre na terça-feira, 26 de novembro, às 20h, a programação do evento Aquecendo o Democracine – Mostra Latindades. Será a primeira exibição do filme no Estado, em sessão que será comentada por seu diretor. Gaúcho radicado em São Paulo há vários anos, Cristiano Burlan vem especialmente a Porto Alegre para debater com o público seu premiado documentário, no qual recupera a dramática história de seu irmão, assassinado em 2001, aos 21 anos de idade. Com uma história familiar trágica, o diretor de 37 anos que viveu no violento bairro do Capão Redondo conseguiu escapar ao triste destino de outros de seus familiares (além de Rafael, morto em 2001, seu outro irmão está preso em Cuiabá), sua mãe foi assassinada pelo segundo marido e seu pai alcoólatra morreu ao cair e bater a cabeça no meio fio de uma calçada. Mataram Meu Irmão é o segundo título da Trilogia do Luto, na qual Cristiano se dedica a recuperar a história de sua família. O primeiro filme, Construção, foi dedicado ao pai, e o próximo será dedicada à sua mãe.
Mataram Meu Irmão
Além da exibição do elogiado documentário de Cristiano Burlan, a programação do Aquecendo o Democracine – Mostra Latinidades, que se estende até o dia 31 de novembro, inclui diversos debates e exibições de filmes, em dois locais distintos (na Sala P. F. Gastal e no Ritter Hotel). O Aquecendo o Democracine – Mostra Latinidades é uma preparação para a segunda edição do festival Democracine, marcada para o segundo semestre de 2014. Integrado à 18ª Conferência da Rede Mercocidades, o evento tem por objetivo auxiliar na compreensão da identidade do sujeito latino-americano, resgatando as marcas geográficas, culturais, políticas e sociais que o constituem. As atividades foram organizadas num conjunto de esforços entre o InovaPoa, a Secretaria de Governança Local e a Secretaria da Cultura de Porto Alegre. Toda a programação do evento é aberta ao público e tem entrada franca.

Entrevistas com o diretor Cristiano Burlan podem ser feitas pelos telefones (11) 97656-3899 ou (11) 99341-3956 e através do e-mail contato@belafilmes.com


AQUECENDO O DEMOCRACINE
Mostra Latinidades

Programação Completa


SALA P. F. GASTAL – Usina do Gasômetro (3º andar)

26 de novembro (terça-feira)
20:00 – Programação de abertura, com a exibição do documentário Mataram Meu Irmão, seguida de debate com o diretor Cristiano Burlan

27 de novembro (quarta-feira)
15:00 – Mostra Latinidades (Programa Diversidade Sexual 1)
17:00 – Mostra Latinidades (Programa Vídeo nas Aldeias)
19:00 – Mostra Latinidades (Iracema, uma Transa Amazônica)

28 de novembro (quinta-feira)
15:00 – Mostra Latinidades (Programa Anos de Chumbo)
17:00 – Mostra Latinidades (Programa Questão Agrária)
19:00 – Mostra Latinidades (Programa Histórias do Sindicalismo)

29 de novembro (sexta-feira)
15:00 – Mostra Latinidades (Vlado, 30 Anos Depois)
18:00 – Mostra Latinidades, com projeção do filme Outro Olhar – Saúde da População Negra, seguida pela roda de conversa A Saúde da População Negra na América Latina, dinamizada pelos agentes de saúde Carla Beatriz Rodrigues, Junara Ferreira, e Guaraci Bonfim e pela pesquisadora Laura Cecília Lopes
20:00 – Sopapo Poético Afro-latino, sarau cultural com declamação de poesias, projeção de vídeos, dança, samba de roda e percussão, dinamizados por Mestre Renato Capoeira (Malta), Vera Lopes, Augusto Cezar Santos (TvNagô) e B-boy Juquinha (ACO)

30 de novembro (sábado)
16:00 – Mostra das oficinas da Descentralização da Cultura (até 19h)
20:00 – Lançamento do DVD do filme Tempo Sem Glória, de Henrique de Freitas Lima

01 de dezembro (domingo)
15:00 – Mostra Latinidades (O Bravo Guerreiro)
17:00 – Mostra Latinidades (Cabra Marcado para Morrer)
19:00 – Mostra Latinidades (Programa Diversidade Sexual 2)
Mataram Meu Irmão

RITTER HOTEL - Largo Vespasiano Júlio Veppo, 55

27 de novembro (quarta-feira)
14:00 – Mostra Latinidades, com projeção do curta Marcha das Vadias Rio 2013, seguida pelo debate Tantas Marias, dinamizado por Cláudia Penalvo (Somos), Daniela Posebon (Juntas), Marian Tessath (Mulheres Rebeldes) e Alessandra Bohm (Juntas)
16:30 – Mostra Latinidades, com projeção do filme Cordel da Regulamentação da Comunicação, seguida pelo debate Comunicação: o Direito à Voz na América Latina, dinamizado por Igor Pereira (Barão Gaúcho), Ramênia da Cunha (Intervozes) e Eliane Silveira (FNDC)
19:00 – Seminário A Revolução do Compartilhamento, com projeção do filme Floresta Vermelha, e discussão sobre o uso de lógicas colaborativas de compartilhamento e licenças livres na democratização da cultura, dinamizada por Luis Alberto Cassol (IECINE), Lucas Alberto Santos (ASL.Org), Léo Foleto (Casa de Cultura Digital) e Flávio Soares (cineasta)

28 de novembro (quinta-feira)
14:00 – Seminário Pampa, Estética do Frio e Identidade Latina, com projeção do treiler estendido do filme A Fria Linha do Horizonte, e discussão sobre a constituição da identidade do sujeito latino-americano na perspectiva da teoria da estética do frio, dinamizado pelo pesquisador Lucas Panitz, pelo cineasta Juan Zapata e pelo professor Luis Augusto Fischer (UFRGS)
16:30 – Mostra Latinidades, com projeção do filme Casas Marcadas, seguida pelo debate Reforma Urbana e Processos de Gentrificação: Direito à Moradia e Acesso à Cidade, dinamizado por Antônio Ezequiel de Moraes (MNLM) e Bernardo Gutierrez (Futura Media)
19:30 – Mostra Latinidades, com projeção dos curtas Por Que o Senhor Atirou em Mim? e Brasil em Cartaz, seguida pelo debate Das Redes às Ruas: 2013, discutindo o uso de redes sociais, objetivos, metodologias e impactos no país das manifestações e protestos dos últimos meses, dinamizada pelos jornalistas Henrique Antoun, Gabriel Galli e Marcos Rolim, a ativista pelos Direitos dos Animais Adriana Greco e por Cezar Busatto (SMGL)

29 de novembro (sexta-feira)
13:30 – Mostra Latinidades, com projeção do filme Terra Vermelha, seguida pelo debate Índio e Território na América Latina, dinamizado por Rosa Rosado (SMS), Luis Fernando Fagundes (SMDH) e Marcelo Câmara (pesquisador)
16:30 – Seminário Marco Civil, Neutralidade da Rede e Soberania Nacional na América Latina, com projeção dos vídeos Neutralidade na Rede e Aula Pública sobre o Marco Civil, seguida de discussão sobre neutralidade, privacidade da rede e marco civil da Internet

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

LONGA EM SUPER 8 TEMPO SEM GLÓRIA GANHA LANÇAMENTO EM DVD

Derradeiro integrante do ciclo de longas-metragens em Super 8 realizados no Rio Grande do Sul no começo da década de 1980, o filme Tempo Sem Glória (1984), de Henrique de Freitas Lima, ganha lançamento em DVD pela coleção Cinemateca RS, editada pela Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria da Cultura de Porto Alegre. A sessão oficial de lançamento do DVD será no dia 30 de novembro, às 20h, na Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar), dentro da programação da mostra Aquecendo o Democracine – Latinidades, evento preparatório à segunda edição do festival Democracine, que irá acontecer no segundo semestre de 2014. O lançamento do DVD de Tempo Sem Glória, com a projeção do filme em presença de seu diretor e equipe, é aberto ao público e tem entrada franca.

Sexto volume da Coleção Cinemateca RS, Tempo Sem Glória foi restaurado e remasterizado em suporte digital sob a supervisão do diretor Henrique de Freitas Lima. A restauração respeitou cuidadosamente o original e deu à obra, graças à tecnologia existente hoje, uma inédita qualidade de som, possibilitando a plena fruição de seus diálogos saborosos e de sua primorosa trilha sonora, um dos grandes atrativos do filme. O processo de recuperação de Tempo Sem Glória foi iniciado há cerca de quatro anos e só agora o resultado final chega ao público.

 O Filme

A primeira parte de Tempo Sem Glória está ambientada numa pequena fazenda em Livramento e descreve o rito de passagem da adolescência para a idade adulta do menino de campanha Juca, vivido por Alexandre Correa. Na segunda parte, rodada em Porto Alegre, Juca ingressa na militância estudantil e acaba por participar da luta armada contra o Regime Militar (1964-1985). Com exceção da protagonista Heloísa Palaoro, que já se exercitava como atriz amadora, os demais personagens foram interpretados por figuras que se destacariam nos anos seguintes em outras áreas, como o advogado Renato Moreira, atual Vice Presidente do Grêmio, Maria Alice Lahorgue, que veio a ser Pró-Reitora da UFRGS, o sociólogo Carlos Winckler, e o Secretário Executivo do Ministério das Comunicações, Cesar Alvarez, que participa de uma animada assembléia estudantil que acaba em pancadaria. Lugares e personagens que pertencem à história afetiva de Porto Alegre, como o lendário Bar Alaska e seu garçom Isaac, que servia o chope mais bem tirado da cidade, e a Confeitaria Pelotense, aprazível espaço do hoje Centro Histórico com suas mesinhas de mármore, dão ao filme o caráter de registro de uma época. A crítica especializada recebeu bem a obra de estreia de Freitas Lima. Luiz Cezar Cozzatti, que assinava a coluna especializada de Zero Hora naqueles tempos, afirmou que o filme tinha “momentos fordianos”.

 Em abril de 1984, depois de receber o prêmio de melhor filme em sua categoria no Festival de Cinema de Gramado, Tempo Sem Glória estreou na Sala Cultural de Livramento, tendo o próprio diretor como projecionista, uma característica dos tempos heróicos do Super 8 gaúcho. O que se viu foi um fenômeno: durante oito semanas, de quinta a domingo, mais de 6.000 santanenses lotaram a sala e se reconheceram na obra, especialmente com a parte rodada no município. Duas temporadas em Porto Alegre, na Aliança Francesa e no Clube de Cultura, fizeram parte da carreira do filme. Naquele ano, Tempo Sem Glória seria projetado 146 vezes em 20 cidades gaúchas, circuito que se completou com o Pequeno Auditório do MASP – Museu de Arte de São Paulo e a Cinemateca Uruguaia, em Montevidéu, atingindo o número de 12.000 espectadores. 

O diretor Henrique de Freitas Lima seguiria carreira no cinema profissional, assinando títulos como Lua de Outubro, Concerto Campestre, Contos Gauchescos e Danúbio.

 A Coleção Cinemateca RS

A Coleção Cinemateca RS foi criada pela Coordenação de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria da Cultura de Porto Alegre em 2001, com o objetivo de recuperar e divulgar obras significativas do cinema gaúcho, disponibilizando em vídeo (num primeiro momento) e depois em DVD títulos que marcaram a história do cinema local. Já foram lançados pela coleção Deu Pra Ti Anos 70, de Giba Assis Brasil e Nelson Nadotti, Vento Norte, de Salomão Scliar, Inverno, de Carlos Gerbase, Beijo Ardente – Overdose, de Flávia Moraes e Hélio Alvarez, e Coisa na Roda, de Werner Schünemann.

Tempo Sem Glória. Rio Grande do Sul, 1984. Direção de Henrique de Freitas Lima. Com Alexandre Correa e Heloísa Palaoro. Super 8. Colorido. Duração: 100 minutos.

* Informações adicionais e contatos para entrevistas com o diretor Henrique de Freitas Lima através dos telefones (51) 3235-2066 e (51) 9998-0876. 

domingo, 17 de novembro de 2013

SALA P.F. GASTAL EXIBE RARIDADES DE JOHN FORD

Com dezenas de clássicos absolutos, a filmografia de John Ford tem lugar cativo no mapa da cinefilia. Entre os mais de cem créditos como cineasta, existem alguns filmes que não ganharam a mesma aura histórica através das décadas. Disposta a apresentar um outro lado do cineasta, a Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) apresenta entre os dias 19 e 24 de novembro a mostra John Ford Desconhecido, com raridades e obras-primas escondidas de uma das trajetórias mais arrebatadoras de Hollywood.

A faceta política de Ford é um dos destaques da mostra, especialmente em narrativas que se aproximam da biografia de Abraham Lincoln, um de seus personagens históricos favoritos. Em Cavalo de Ferro (1922), um dos mais importantes de seu período silencioso, o que está em questão são os meandros da construção de uma estrada de ferro. O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões (1936) contra a história do médico acusado de ser cúmplice do assassino do ex-presidente norte-americano. Colocado por muitos como a obra-prima de Ford, A Mocidade de Lincoln (1939) traz um retrato do futuro presidente enquanto jovem, distante da glorificação quase religiosa que encontramos em obras posteriores.   

A política ainda se faz presente em filmes como Caminho Áspero (1941), adaptação da peça polêmica de Jack Kirkland e O Último Hurra (1959), sobre um prefeito que não consegue se adaptar às mudanças dos tempos.

O faroeste, gênero do qual John Ford se orgulhava de ser o principal autor, está presente na mostra em duas obras significativas que não ganharam os mesmos louros que os clássicos mais comentados: Ao Rufar dos Tambores (1939), seu primeiro filme colorido, e Caravana de Bravos (1950), considerado por Ford como seu filme favorito.  

A mostra ainda exibe o drama Peregrinação (1933), emocionante história de uma mãe que precisa rever seus conceitos após uma tragédia pessoal e Sete Mulheres (1966), a despedida de John Ford, sobre um grupo de missionárias em confronto com guerreiros mongóis.

A mostra John Ford Desconhecido tem o apoio da distribuidora MPLC e da locadora E O Vídeo Levou.


GRADE DE PROGRAMAÇÃO
19 a 24 de novembro de 2013



Cavalo de Ferro 

(The Iron Horse)
1922 
133 minutos

Quando o presidente Lincoln autoriza a construção da estrada de ferro Transcontinental, a Union Pacific, construtor (Will Walling) e agrimensor (George O´Brien) começam a traçar o mapa para a melhor rota. Embora eles encontrem uma nova passagem, além da previamente esperada, a ambição dos homens que trabalham no projeto complica a construção. Com uma dose de comédia e poderoso tema histórico, momentos de drama e até mesmo romance, O Cavalo de Ferro merece um lugar de honra e destaque no período silencioso do cinema. Exibição em DVD.


Peregrinação 
(Pilgrimage)
1933
96 minutos

No início da Primeira Guerra Mundial, os jovens Jim e Mary se apaixonam. Tomada de ciúme, a possessiva mãe do rapaz o envia à guerra para impedi-lo de casar. Quando o rapaz morre, deixando Mary grávida, a mãe enfrenta o remorso pelo que fez. Exibição em DVD







O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões 
(The Prisioner of Shark Island) 
1936
96 minutos

O filme conta a história do Dr. Samuel Mudd, o médico que tratou o assassino do presidente Lincoln e foi acusado de ser cúmplice do crime. Exibição em DVD.







A Mocidade de Lincoln 
(Young Mr. Lincoln)
1939
100 minutos

Os primeiros passos do jovem Abraham Lincoln: sua formação no Direito, a perda da primeira esposa e a difícil defesa dos irmãos Matt e Adam Clay, acusados de homicídio. 
Exibição em DVD.
Ao Rufar dos Tambores 
(Drums Along The Mohawk)
 1939
103 minutos

Magdalena (Claudette Colbert) e Gilbert (Henry Fonda) casam-se em Albany, Nova York, 1776, e vão para o Vale Mohawk. Mas os repetidos ataques indígenas os obrigam a juntarem-se a outros colonos do vale num forte. Exibição em DVD.






Caminho Áspero 
(Tobacco Road) 
1941 
80 minutos

Numa adaptação da controversa peça de Jack Kirkland (que por sua vez foi adaptada da ainda mais controversa obra de Erskine Caldwell), Caminho Áspero narra em detalhes a imoralidade sórdida que vigora entre tacanhos pobres brancos. 
Exibição em DVD.




Caravana de Bravos 

(Wagon Master)
1950
86 minutos


Um grupo de mórmons vai fundar uma nova colônia no Rio San Juan e contrata os astutos Travis e Sandy como guias. Logo se junta a eles a trupe de Doc Hall e os Clegg Boys, bandidos em fuga que consideram uma caravana mórmon o disfarce ideal. John Ford considerava Wagon Master o seu filme favorito. Exibição em DVD.






O Último Hurra

The Last Hurrah)
1959
121 minutos

Uma divertida atuação de Spencer Tracy como um político à moda antiga, envolvido em todas as questões da comunidade e os desafios da modernidade. Exibição em DVD.






Sete Mulheres 

(7 Women) 
1966
87 minutos

Em 1935, sete mulheres missionárias estão na fronteira da China com a Mongólia, tentando se proteger contra o avanço dos guerreiros mongóis liderados por Tunga Khan. 
Exibição em DVD.






GRADE DE HORÁRIOS
19 a 24 de novembro de 2013

19 de novembro (terça-feira)
15:00 – Ao Rufar dos Tambores
17:00 – Caminho Áspero
19:00 – Cavalo de Ferro

20 de novembro (quarta-feira)
15:00 – O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões
17:00 – Caravana de Bravos
19:00 – Sessão História no Cinema (Terra Estrangeira, de Walter Salles e Daniela Thomas)

21 de novembro (quinta-feira)
15:00 – Peregrinação
17:00 – A Mocidade de Lincoln
19:00 – O Último Hurra

22 de novembro (sexta-feira)
15:00 – O Prisioneiro da Ilha dos Tubarões
17:00 – Cavalo de Ferro
19:00  Sete Mulheres

23 de novembro (sábado)
15:00 – A Mocidade de Lincoln
17:00 – Ao Rufar dos Tambores
19:00 – Caravana de Bravos

24 de novembro (domingo)
15:00 – Sete Mulheres
17:00 – Peregrinação
19:00 – Caminho Áspero


Apoio

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

CLÁSSICO MORANGO E CHOCOLATE GANHA SESSÃO COMENTADA POR SENEL PAZ NA SALA P. F. GASTAL


Morango e Chocolate

Já um clássico do cinema latino-americano, o filme Morango e Chocolate comemora em 2013 seu 20º aniversário de lançamento. Dirigida pela dupla Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío, esta elogiada comédia dramática cubana estreada em 1993 conheceu um enorme êxito internacional, e chegou a ser indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Para celebrar seus 20 anos de lançamento, e aproveitando a estada em Porto Alegre do escritor e roteirista Senel Paz (autor do conto original que inspirou o filme, e também seu roteirista), a Sala P. F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) exibe Morango e Chocolate na próxima sexta-feira, dia 15 de novembro, às 20h, em sessão que será comentada por Paz. A exibição tem entrada franca.
Senel Paz

Morango e Chocolate mostra o relacionamento entre um intelectual homossexual perseguido pelo regime (Jorge Perugorría) e um estudante comunista que idolatra o governo de Fidel Castro (Vladimir Cruz). A princípio a aproximação de ambos se dá de forma tensa, mas aos poucos uma forte amizade se constrói entre os dois personagens, superando suas diferenças e preconceitos. A história do filme é baseada no conto O Lobo, a Floresta e o Novo Homem, de Senel Paz, que a adaptou para o cinema. Além de concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro, Morango e Chocolate venceu o Urso de Prata e o Teddy Award no Festival de Berlim, conquistando ainda mais de 20 prêmios internacionais (incluindo o Kikito de melhor filme no Festival de Gramado).
Morango e Chocolate (Fresa y Chocolate), de Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío. Cuba, 1993. Duração: 108 minutos.

GRADE DE HORÁRIOS

15 de novembro (sexta-feira)
15:00 – De Repente, no Último Verão, de Joseph L. Mankiewicz
17:00 – Moby Dick, de John Huston
19:00 – A Concha e o Clérigo, de Germaine Dulac
20:00 – Morango e Chocolate, de Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío (sessão comentada pelo escritor e roteirista Senel Paz)

16 de novembro (sábado)
15:00 – As Damas do Bois de Boulogne, de Robert Bresson
17:00 – Sessão Plataforma (Leviathan, de Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel)
19:00 – Sessão Aurora (Um Burguês Muito Pequeno, de Mario Monicelli)

17 de novembro (domingo)
15:00 – Chamas de Verão, de Tony Richardson
17:00 – O Criado, de Joseph Losey
19:00 – Barfly – Condenados pelo Vício, de Barbet Schroeder

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

UM BURGUÊS MUITO PEQUENO NA SESSÃO AURORA

A Sessão Aurora apresenta neste sábado, 16 de novembro, às 19h, na Sala P. F. Gastal o filme Um Burguês Muito Pequeno (1977), de Mario Monicelli. Após a sessão, haverá um debate com os editores do Zinematógrafo. A entrada é franca.

Concorrente da Itália no Festival de Cannes de 1977, Um Burguês Muito Pequeno é reconhecido como uma das obras-primas de Monicelli ao acentuar de forma desconcertante o drama em seu peculiar senso de humor, direcionando um olhar crítico à família de classe média italiana.

Próximo da aposentadoria, um modesto funcionário decide ingressar na loja maçônica de seu chefe para ganhar respeito e conseguir que seu filho trabalhe no mesmo ministério que o dele. Porém, no mesmo dia dos exames de ingresso, acontece algo inesperado que transformará a vida do pai.

Para além da crítica social e moral, o filme também revela um comentário mordaz sobre os instintos humanos. Tendo a delicada questão política italiana como pano de fundo, Monicelli mostra como a liberdade e a violência se encontram num contexto pautado por valores hierárquicos e modelos de conduta.  
Mario Monicelli é um dos nomes mais importantes do cinema italiano que surge no pós-guerra. Inicia sua obra em parceria com o lendário Steno, dirigindo Totó Procura Casa (1949). Entre os anos 1950 e 1970, realizou uma série de filmes que marcaram a cinematografia da Itália, como Os Eternos Desconhecidos (1958), O Incrível Exército de Brancaleone (1966) e Meus Caros Amigos (1975), renovando de forma particular os paradigmas da comédia local. Suicidou-se em 2010, aos 95 anos, tendo no currículo mais de cinquenta trabalhos como cineasta.


Um Burguês Muito Pequeno
(Un Borghese Piccolo Piccolo)
Dirigido por Mario Monicelli
Itália/1977/122 minutos
Elenco: Alberto Sordi, Shelley Winters, Romolo Valli, Vincenzo Crocitti
Exibição em DVD com legendas em português

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

LEVIATHAN NA SESSÃO PLATAFORMA

Nesta terça-feira, 12 de novembro, às 20h, acontece mais uma edição da Sessão Plataforma na Sala P.F. Gastal, com a exibição de Leviathan, documentário experimental dirigido Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel.  A sessão custa R$ 3,00, com projeção em blu-ray.  

Nas mesmas águas de New Bedford onde o baleeiro Pequod, comandado pelo capitão Ahab, perseguiu obsessivamente Moby Dick, tem lugar esta representação inédita de Leviathan. Retratando a máquina como se tratasse um metabolismo, esta impactante obra de experimentação estética e incrível ascendência documental expõe uma visão critica sobre uma atividade primitiva do homem: a pesca. Uma dúzia de câmeras portáteis GoPro serve aos artistas, cineastas e antropólogos Lucien Castaing Taylor e Verena Parável para registrar procedimentos da pesca industrial a bordo de um barco pesqueiro. O ponto de vista, aparentemente aleatório, de câmeras instaladas no barco e acopladas na tripulação, para o acompanhamento de várias jornadas, são decisões que têm um claro objetivo de se colocar nas entranhas da besta: ângulos nervosos, inesperados, câmera na mão ou colocadas no capacete dos “pescadores” – os homens sem rosto que fumam debaixo de um forte temporal e destroçam mecanicamente suas vítimas -, do mastro e do guindaste das redes, elevado à altura das gaivotas –que fazem o papel de parasitas do mar-, bombordo e estibordo, ao ar livre, ou debaixo d´água onde a força da maré ferve de sangue e vísceras de peixes: o rastro de excrementos deixados pelo monstro em seu caminho.

LEVIATHAN (dir: Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel)
- Locarno International Film Festival - World Premiere - FIPRESCI Award 
- Viennale - Standard Audience Award 2012 
- UNAM International Film Festival FICUNAM 2013 - Best Film 
- CPH:DOX - new:vision award 
- New York Film Festival – Official Selection

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

MOSTRA ESCRITORES NO CINEMA SEGUE NA SALA P.F. GASTAL


Moby Dick, de John Huston
A mostra Escritores no Cinema segue em cartaz na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) até o dia 17 de novembro, apresentando uma seleção de filmes que trazem roteiros assinados por nomes essenciais da literatura. Na sexta-feira, dia 15 de novembro, acontece uma edição especial do Projeto Raros com a exibição do filme argentino Invasão (1969), de Hugo Santiago, com roteiro de Jorge Luis Borges a partir de história assinada por ele e Adolfo Bioy Casares.

Escritores no Cinema

A aventura de grandes gênios da escrita na realização de roteiros é um dos capítulos mais ricos da relação de amores e tormentas entre o cinema e a literatura. Através de obras-primas consagradas e pequenos segredos, a contribuição de escritores marcou profundamente o período clássico de Hollywood. Foram muitos os homens das letras – interessados em novas possibilidades de criação e também nos altos cachês pagos pelos grandes estúdios – que encontraram no cinema uma alternativa de trabalho. Um exemplo célebre é o de William Faulkner, cuja parceria com Howard Hawks rendeu alguns clássicos como Uma Aventura na Martinica (1944), adaptação do “pior romance de Ernest Hemingway”, na definição do próprio autor, tendo Humphrey Bogart e Lauren Bacall nos papéis principais.

A invasão de grandes escritores em Hollywood teve seu ápice entre as décadas de 1930 e 1950. Aos poucos, o descompasso entre a liberdade criativa e as regras rígidas da indústria diminuiu a presença dos autores. Aldous Huxley, por exemplo, teve seu argumento para Alice no País das Maravilhas recusado por Walt Disney, com a justificativa de que aquilo era incompreensível. Antes da experiência negativa, entretanto, o autor de Admirável Mundo Novo deixou alguns roteiros emblemáticos como Jane Eyre (1943), adaptação do romance de Charlote Brontë dirigido por Robert Stevenson.

Ainda na Hollywood clássica, a mostra exibe filmes roteirizados por nomes modernistas como John Dos Passos (A Mulher Satânica, de Josef von Sternberg) e Tennessee Williams (De Repente, no Último Verão, de Joseph L, Mankiewicz) e mestres da escrita de gênero como Ray Bradbury (Moby Dick, de John Huston).

Se a partir dos anos 1970, já num contexto moderno, o cinema norte-americano não manteve a mesma intensidade em suas parcerias com grandes escritores, ainda encontramos obras emblemáticas com assinaturas famosas. Charles Bukowski, por exemplo, estendeu suas obsessões literárias às telas com o roteiro de Barfly – Condenados pelo Vício (1987), produção da Zoetrope Studios dirigida por Barbet Schroeder.

A renovação do cinema britânico nos anos 1960 também contou com a colaboração de escritores importantes: Truman Capote roteirizou a adaptação de A Volta do Parafuso, de Henry James, ajudando a criar um marco do horror, Os Inocentes, dirigido Jack Clayton (1961). Figura central da literatura moderna francesa, Marguerite Duras assinou a adaptação do roteiro nunca filmado de Jean Genet em Chamas de Verão (1966), dirigido por Tony Richardson, com Jeanne Moreau no papel principal. Já o dramaturgo Harold Pinter estabeleceu uma significativa parceria com Joseph Losey na fase inglesa do diretor norte-americano, exilado em função do Macartismo, deixando-nos obras-primas como O Criado (1963).

A mostra também exibe três momentos distintos da vanguarda francesa em que o cinema e a literatura estiveram próximos. Um dos pilares do cinema experimental dos anos 1920, A Concha e o Clérigo, dirigido por Germaine Dulac, tem roteiro assinado pelo escritor, poeta e dramaturgo Antonin Artaud. No pós-guerra, Robert Bresson surgia como o principal nome do cinema francês tendo Jean Cocteau como dialoguista de seu segundo longa-metragem, As Damas do Bois de Boulogne (1945). Quando a França já vivia a ebulição da Nouvelle Vague, no início dos anos 1960, Alain Resnais aproximou-se de Alain Robbe-Grillet e suas propostas inovadoras do Nouveau Roman para criar O Ano Passado em Marienbad (1961), um dos divisores de água do cinema moderno.

Para completar a programação da mostra Escritores no Cinema, no dia 15 de novembro, sexta-feira, às 20h, acontece uma edição especial do Projeto Raros com a exibição do filme argentino Invasão (1969), de Hugo Santiago, com roteiro de Jorge Luis Borges a partir de história assinada por ele e Adolfo Bioy Casares.

A mostra Escritores no Cinema será apresentada ao longo de duas semanas e tem o apoio da distribuidora MPLC e da locadora E O Vídeo Levou.



GRADE DE PROGRAMAÇÃO
12 a 17 de novembro de 2013



A Concha e o Clérigo (La Coquille et Le Clergyman), de Germaine Dulac. França, 1927, 30 minutos.
Germaine Dulac esforçou-se para procurar na ação do roteiro de Antonin Artaud os pontos harmônicos, ligando-os entre si por ritmos estudados e compostos. Existem duas séries de ritmo. O ritmo da imagem e o ritmo das imagens, ou seja, um gesto deve ter um comprimento correspondente ao valor harmônico da expressão e depender do ritmo que precede ou prossegue: ritmo na imagem. Artaud detestou o resultado, mas o filme se tornou uma obra fundamental da vanguarda francesa dos anos 1920. Exibição em DVD.



A Mulher Satânica (The Devil is a Woman), de Josef von Sternberg. Estados Unidos, 1935, 75 minutos.
Josef von Sternberg encerra a parceria com Marlene Dietrich neste filme. Antônio Galván (César Romero), jovem militar com posto de oficial, conhece uma mulher misteriosa e atraente, Concha Perez (Dietrich), e cai enfeitiçado em seus braços sedutores. John Dos Passos escreveu o enredo, baseado no romance de Pierre Louys. Anos depois, Luis Buñuel, adaptou o argumento para o filme Esse Obscuro Objeto do Desejo. Exibição em DVD.



Jane Eyre (Jane Eyre), de Robert Stevenson. Estados Unidos, 1943, 97 minutos.
Adaptação da grande história romântica de Charlotte Brontë, com roteiro de Aldous Huxley, estrelada por Joan Fontaine e Orson Welles. Depois de uma infância como órfã, Jane Eyre (Fontaine) consegue um emprego como preceptora da filha do perturbado Edward Rochester (Welles), um aristocrata inglês. Com o passar do tempo Jane e seu patrão se apaixonam e decidem se casar. Mas o casamento deles é abalado com a chegada de um visitante. Exibição em DVD.


Uma Aventura na Martinica (To Have and Have Not), de Howard Hawks. Estados Unidos, 1944, 100 minutos.
Uma das lendárias parcerias entre William Faulkner e Howard Hawks, que aceitou o desafio proposto por Ernest Hemingway: “faça um grande filme baseado no meu pior livro”. Mar do Caribe, Martinica, 1940. Harry Morgan (Humphrey Bogart) é o capitão e dono de um pequeno barco. Membros da Resistência Francesa precisam do barco para resgatar discretamente um colaborador importante. Naquele mesmo dia, Marie Browning (Laren Bacall), uma batedora de carteiras, rouba o dinheiro de Johnson. Exibição em DVD.


As Damas do Bois de Boulogne (Les Dames du Bois de Boulogne), de Robert Bresson. França, 1945, 84 minutos.
Desejando vingar-se do abandono do amante Jean, Hélene (Maria Casarès), uma dama da alta sociedade, pede a uma dançarina de cabaret que o seduza. Só que a vingança acabará se transformando num escandaloso romance. Roteirizado pelo poeta Jean Cocteau e dirigido por Robert Bresson, As Damas do Bois de Boulogne é um filme de gestos, de olhares, em que a emoção aflora sob a pureza das imagens. Exibição em DVD.



Moby Dick (Moby Dick), de John Huston. Estados Unidos, 1956, 116 minutos.
Consumido por uma raiva completamente insana, Capitão Ahab tem apenas um objetivo na vida - vingar-se de Moby Dick, a grande baleia branca, que o feriu e desfigurou. O roteiro é assinado por Ray Bradbury. Exibição em DVD.





De Repente, no Último Verão (Suddenly, Last Summer), de Joseph L. Mankiewicz. Estados Unidos, 1959, 114 minutos.
John Cukrowicz (Montgomery Cliff), um neurocirurgião interessado em conseguir recursos para o hospital onde trabalha, conhece Violet Venable (Katherine Hepburn), uma rica senhora da aristocracia que deseja fazer uma lobotomia em Catherine Holly (Elizabeth Taylor), uma sobrinha supostamente acometida de crises de loucura. Escrito a quatro mãos, o roteiro deste clássico de Mankiewicz traz nomes como Tennessee Williams e Gore Vidal. Exibição em DVD.



Os Inocentes (The Innocents), de Jack Clayton. Estados Unidos/Inglaterra, 1961, 100 minutos.
Algo de estranho e sinistro estava acontecendo naquela casa, pensou Senhorita Giddens, contratada para cuidar de Flora e Miles, dois irmãos que ficaram órfãos em circunstâncias misteriosas. Uma das mais completas adaptações para o cinema da obra de Henry James, A Volta do Parafuso, estrelada por Deborah Kerr e roteirizada por Truman Capote. Exibição em DVD.




O Ano Passado em Marienbad (L'année Dernière à Marienbad), de Alain Resnais. França, 1961, 94 minutos.
Num hotel de luxo, um homem (Giorgio Albertazzi) tenta convencer uma mulher casada (Delphine Seyrig) a fugir com ele. Mas ela não consegue lembrar do caso que os dois supostamente tiveram no ano anterior em Marienbad. Parceira emblemática entre Alain Resnais e um dos inventores do Nouveau Roman, Alain Robbe-Grillet. Exibição em DVD.



O Criado (The Servant), de Joseph Losey. Inglaterra, 1963, 112 minutos.
Jovem rico acaba de comprar residência no centro de Londres e contrata um criado para lhe auxiliar. A relação dos dois é um pouco complicada e, aos poucos, a insubordinação vai tomando proporções catastróficas. Baseado em romance de Robin Maugham, o roteiro foi escrito por Harold Pinter. Exibição em DVD.


Chamas de Verão (Mademoiselle), de Tony Richardson. Inglaterra/França. 1966, 100 minutos.
Nesta adaptação da obra de Jean Genet, roteirizada por Marguerite Duras, Jeanne Moreau é uma respeitada professora em um vilarejo onde reside um viril italiano por quem ela nutre um forte desejo. Sexualmente reprimida, ela encontra prazer em vê-lo realizar atos heróicos em acidentes provocados por ela mesma e também passa a maltratar o filho dele. Exibição em DVD.






Barfly – Condenados pelo Vício (Barfly), de Barbet Schroeder. Estados Unidos, 1987, 100 minutos.
O cineasta Barbet Schroeder encomendou um roteiro a Charles Bukowski, que entregou a história de Henry Chinaski, um escritor alcoólatra que inicia um romance cheio de contradições com Wanda Wilcox, outra frequentadora assídua dos bares de Los Angeles. Exibição em DVD.







GRADE DE HORÁRIOS
12 a 17 de novembro de 2013

12 de novembro (terça-feira)
15:00 – A Mulher Satânica, de Josef von Sternberg
17:00 – Jane Eyre, de Robert Stevenson
20:00 – Sessão Plataforma (Leviathan, de Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel)

13 de novembro (quarta-feira)
15:00 – Uma Aventura na Martinica, de Howard Hawks
17:00 – Os Inocentes, de Jack Clayton
19:00 – De Repente, no Último Verão, de Joseph L. Mankiewicz

14 de novembro (quinta-feira)
15:00 – As Damas do Bois de Boulogne, de Robert Bresson
17:00 – O Criado, de Joseph Losey
19:00 – O Ano Passado em Marienbad, de Alain Resnais

15 de novembro (sexta-feira)
15:00 – De Repente, no Último Verão, de Joseph L. Mankiewicz
17:00 – Moby Dick, de John Huston
19:00 – A Concha e o Clérigo, de Germaine Dulac
20:00 – Morango e Chocolate, de Tomás Gutiérrez Alea (sessão comentada com Senel Paz)

16 de novembro (sábado)
15:00 – As Damas do Bois de Boulogne, de Robert Bresson
17:00 – Sessão Plataforma (Leviathan, de Lucien Castaing-Taylor e Verena Paravel)
19:00 – Sessão Aurora (Um Burguês muito Pequeno, de Mario Monicelli)

17 de novembro (domingo)
15:00 – Chamas de Verão, de Tony Richardson
17:00 – O Criado, de Joseph Losey
19:00 – Barfly – Condenados pelo Vício, de Barbet Schroeder


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