Mostrando postagens com marcador projeto raros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador projeto raros. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de junho de 2013

PROJETO RAROS ESPECIAL CEMITÉRIO PERDIDO DOS FILMES B: EXPLOITATION- UP! O EROTISMO ANÁRQUICO DE RUSS MEYER


Nesta sexta-feira (7 de junho) às 20h, o Projeto Raros da Sala P.F.Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro) faz o lançamento do livro Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation, seguido da exibição de UP!, de Russ Meyer. Após a sessão debate com os autores Cesar Almeida, Carlos Thomaz Albornoz,  Marco A. Freitas e Cristian Verardi . Entrada Franca. (Censura 18 anos).

UP!

Existe algo de anárquico na obra de Russ Meyer que eleva seu cinema além do erotismo fácil da exploração gratuíta dos corpos. Na epiderme de seu trabalho corre um humor libertário, impregnado de violência, um deboche acurado que desestabiliza costumes e regras morais através de uma narrativa caótica que por vezes beira o nonsense. A profusão de corpos nus, de mulheres opulentas e homens priaprícos, serve como arma para desnudar desejos e perversões de uma sociedade castradora e hipócrita. A América de Russ Meyer clama secretamente por um gozo alucinante.
”Nada é obsceno desde que seja feito com mau gosto”, costumava dizer um provocatico Meyer.Um dos últimos trabalhos de sua carreira como diretor, Up! é uma obra crepuscular que somatiza características peculiares ao estilo de Meyer; para ele o sexo era um elemento superlativo. Mulheres de seios monumentais, homens brutos e apalermados ostentando ereções monstruosas, êxtase sexual constante, violência gráfica de tons cartunescos, tudo isso costurado por uma narrativa amalucada em prol da provocação e do deboche das convenções sociais e dos tabus sexuais.O olhar apurado de Meyer, que foi um notório fotógrafo da revista Playboy durante os anos 1950, capta planos inusitados, sempre valorizando os fartos seios de suas atrizes,  enquanto realiza com furor sequências de humor, violência e erotismo.
Kitten Natividad, uma de suas atrizes fetiche, funciona como um coro grego para narrar a estranha trama whodunit que se desenrola em meio a maratona sexual promovida pelas personagens de Up!. Quem matou
Adolf  Schwartz? Um Hitler genérico adepto de práticas masoquistas que é castrado por um peixe colocado criminosamente em sua banheira. Esse enigma pouco interessa às personagens, que preferem se dedicar a incessantes e divertidas aventuras sexuais invés de se preocupar com o assassinato. Enquanto Paul (Robert McLane) e Sweet Lil Alice (Janet Wood) gozam bucolicamente em meio aos campos, Margo Winchester (Raven De La Croix), a garçonete local, enlouquece os homens transformando-os em verdadeiros predadores sexuais, e o xerife Homer Johnson (Monty Bane), despreocupado com o crime, prega a lei a sua maneira, utilizando mais seu pênis do que sua arma.A cena de abertura com Adolf  Schwartz sendo alegremente sodomizado por um membro descomunal e submetido a sessões de sadomasoquismo, é uma verdadeira zoação de Russ Meyer (ex-combatente e fotógrafo da 2° Guerra Mundial), não apenas com a figura histórica de Hitler, mas com todas as autoridades morais que impestam nossa sociedade pregando de forma ditatorial éticas sexuais hipocritamente castradoras. A sequência histérica, onde um lenhador brutamontes de apetite sexual descontrolado tenta violentar Margo Winchester, culminando num hilário banho de sangue após uma luta envolvendo  machados e uma motoserra, é um exemplo da insanidade narrativa de Meyer, que mescla habilmente os gêneros, indo prontamente do erotismo ao mais puro grand guignol.
Carl Jung disse que ”o cinema torna possível experimentar sem perigo, toda a excitação, paixão e desejo que deve ser reprimida numa humanitária ordem de vida”, e o erotismo libertário e provocador  proposto pelo cinema de Meyer tende a corroborar essa afirmação, tendo o sexo e o humor como as mais poderosas armas de subversão.

(Cristian Verardi- texto originalmente publicado no livro Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation. Ed. Estronho)

quarta-feira, 13 de março de 2013

EM HOMENAGEM AO DIRETOR DAMIANO DAMIANI O PROJETO RAROS EXIBE O DIA DA CORUJA

Franco Nero e Claudia Cardinale em O Dia da Coruja

Nesta sexta-feira,15 de março, às 20 horas, o primeiro projeto Raros de 2013 presta homenagem ao diretor italiano Damiano Damiani com a exibição de O Dia da Coruja (Il Giorno Della Civetta, 1968). Conhecido pelo grande público principalmente por seus westerns spaghetti, como Uma Bala Para o General (El Chuncho, Quien Sabe?, 1966) e Trinity e Seus Companheiros (Um Gênio, Due Compari, Um Pollo, 1975), Damiani faleceu em Roma, no último dia 07 de março, aos 90 anos. Diretor versátil, realizou  mais de 30 filmes transitando entre diversos gêneros, de dramas intimistas, passando pelas comédias, westerns, pelo horror, e por thrillers policiais onde lançava um olhar apurado sobre as maquinações políticas e as engrenagens que movimentavam a máfia italiana.
O Dia da Coruja, baseado no romance homônimo de Leonardo Sciascia, acompanha a luta de Bellodi (Franco Nero), um jovem oficial de polícia de Milão recém chegado à Sicília, para desvendar a morte de Salvatore Colasbena, um modesto empreiteiro da construção civil. As investigações o colocam em conflito com a máfia siciliana, políticos locais, e o aproximam de Rosa (Claudia Cardinale), a viúva da vítima. Conforme se aproxima da verdade, Bellodi começa a compreender a rede de violência e corrupção que movimenta os interesses políticos da região.
Atenção: O Dia da Coruja será exibido numa cópia em DVD, com legendas em espanhol. A entrada é franca.

 O Dia da Coruja (Il Giorno Della Civetta / 1968), de Damiano Damiani. Com: Franco Nero, Claudia Cardinale, Lee. J. Cobb.

PROJETO RAROS
SALA P. F. GASTAL - USINA DO GASÔMETRO
SEXTA-FEIRA, DIA 15 DE MARÇO, 20H
ENTRADA FRANCA

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A OUTRA FACE DA VIOLÊNCIA NO PROJETO RAROS!

Na próxima sexta-feira (17 de agosto), às 20h, o Projeto Raros da Sala P.F. Gastal (Usina do Gasômetro, 3° andar) apresenta A Outra Face da Violência (Rolling Thunder, EUA, 1977).  Dirigido por John Flynn, e roteirizado pelo lendário Paul Schrader (Taxi Driver, Touro Indomável), A Outra Face da Violência  narra uma emblemática e cruel trama de vingança numa América setentista pós Vietnam.

O Major Charles Rane (Willian Devane) retorna para casa como herói de guerra após passar anos como prisioneiro no Vietnam. Em seu amargo retorno ele encontra sua esposa amando outro homem, um filho pequeno para o qual é um completo estranho, e um país em crise, sofrendo a ressaca moral e financeira de uma guerra sem sentido. Charles Rane é um homem sem perspectivas, um estranho no ninho tentando se reintegrar à sociedade longe da crueldade dos campos de batalha. Mas a violência o persegue como uma sombra, e quando um grupo de marginais invade a sua casa em busca de dinheiro, deixando-o aleijado após uma sessão de torturas, e matando cruelmente sua esposa e o filho que mal teve a chance de conhecer, a única coisa que parece fazer sentido em sua vida é o desejo de vingança. Acompanhado de um amigo neurótico de guerra, interpretado por um jovem Tommy Lee Jones, e por uma garçonete intempestiva (Linda Haynes),  o Major Rane empreende uma violenta busca pelos assassinos.

Embalado pelo sucesso de Taxi Driver, o roteirista Paul Schrader vendeu para a Twentieth Century-Fox uma história de vingança onde poderia continuar explorando suas obsessões a respeito da crueldade humana, com seus personagens marginais e anti-heróis em situações limítrofes. Os executivos ficaram chocados, alegando que o resultando final havia ficado violento demais para ser distribuído pela Twentieth Century-Fox, e assim a produção acabou sendo vendida para a mítica distribuidora de filmes B American International Pictures, de Samuel Z. Arkoff.  Mesmo com a distribuição limitada o filme fez relativo sucesso sendo exibido principalmente em cinemas drive in e nas típicas sessões grindhouse da época, chegando a ser citado na lista dos dez melhores filmes de 1977 organizada pelo notório crítico de cinema Gene Siskel.

Recentemente A Outra Face da Violência acabou incluído na seleção pessoal compilada por Quentin Tarantino para a tradicional revista Sight & Sound, que a cada dez anos desde 1952 publica uma lista com os dez melhores filmes de todos os tempos. A paixão de Tarantino pelo filme de John Flynn o levou a batizar a sua distribuidora de filmes independentes de Rolling Thunder.

Uma obra conturbada e seminal de um período em que o cinema americano começava a questionar criticamente o conflito do Vietnam e seus efeitos colaterais. Enquanto o país tentava se reerguer e compreender o fracasso desta empreitada, Paul Schrader direcionava suas armas para a própria sociedade americana, como se apontasse a raiz do mal. Sobre Schrader, o folclórico diretor John Millius comentou certa vez: “Se existe um psicótico a quem não se deve nunca vender uma arma, esse é Paul Schrader”.

ATENÇÃO: A Outra Face da Violência será exibido com áudio original em inglês e legendas em espanhol. Entrada franca.

terça-feira, 10 de julho de 2012

RAROS ESPECIAL DE SEXTA-FEIRA 13 APRESENTA PAVOR NA CIDADE DOS ZUMBIS


Nesta sexta-feira 13, às 20h30, o projeto Raros da Sala P.F. Gastal (Usina do Gasômetro, 3° andar) apresenta o clássico gore oitentista Pavor na Cidade dos Zumbis (Paura nella Città dei Morti Viventi), do lendário diretor italiano Lucio Fulci. A sessão tem entrada franca e será comentada pelo jornalista Carlos Thomaz Albornoz.

Na misteriosa cidade de Dunwich, um padre comete suicídio num antigo cemitério, desencadeando uma profecia que culminará com a abertura dos sete portais do inferno. No mesmo instante em Nova Iorque, durante uma sessão mediúnica, a jovem sensitiva Mary (Catriona MacColl) tem um colapso após ter visões de um futuro apocalíptico, onde os mortos retornam das regiões infernais para subjugar a terra. Auxiliada por Peter (Christopher George), um jornalista obstinado, Mary viaja para Dunwich na tentativa de evitar que a profecia se concretize.

A partir de Pavor na Cidade dos Zumbis o diretor Lucio Fulci romperia com a narrativa tradicional para elaborar uma trilogia (com a presença de MacColl) onde a razão seria sobrepujada pela lógica de um universo onírico macabro. Essa atmosfera de pesadelo, em que a narrativa formal é substituída por uma estrutura delirante, seria complementada com os filmes A Casa do Além (L’Aldilà, 1981) e A Casa do Cemitério (Quella Villa Accanto al Cimitero, 1981).

A imaginação é mais forte quando pressionada pelos horrores do inferno, declararia Fulci, um diretor acostumado a conduzir suas tramas orquestrando cenas impactantes onde o corpóreo e o metafísico coexistem gerando medo e estranheza em meio a absurdos banhos de sangue. Em Pavor na Cidade dos Zumbis o diretor extrapola o seu gosto por detalhes grotescos fornecendo ao espectador um festival de atrocidades amparado em um roteiro abstrato, repleto de situações que ilustram o seu descompromisso com a razão em prol do choque, numa recusa consciente das convenções formais da narrativa cinematográfica. No universo peculiar de Fulci é possível as pessoas agirem normalmente após uma insólita chuva de vermes, ou  uma garota vomitar os próprios intestinos, numa das cenas mais repugnantes do cinema gore dos anos 1980. A cena onde Giovanni Lombardo Radice, ator fetiche do cinema de horror italiano, tem sua cabeça transpassada por uma furadeira industrial, e a sequência em que Catriona MacColl é enterrada viva, auxiliam a justificar o fato de Fulci ser conhecido como o poeta da crueldade.

Pavor na Cidade dos Zumbis (Paura nella Città dei Morti Viventi). Itália, 1980, cor, 93 minutos. Direção: Lucio Fulci. Com: Catriona MacColl, Christopher George, Carlo De Mejo e Giovanni Lombardo Radice. ENTRADA FRANCA.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

PROJETO RAROS APRESENTA FILME DE MARIO MONICELLI


Nesta sexta-feira, dia 27 de abril, às 20h, a Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro realiza a primeira edição do ano do já tradicional projeto Raros, que retorna homenageando um dos grandes ícones da comédia italiana, Mario Monicelli, com a exibição de A Moça com a Pistola (La Ragazza con la Pistola / 1968).

Durante os anos 60, Assunta (Monica Vitti) é uma típica habitante de um vilarejo siciliano onde imperam rígidas e arcaicas tradições familiares. Após ser raptada, seduzida e abandonada por Vincenzo (Carlo Giuffrè), Assunta é obrigada pela família a lavar sua honra com sangue. Munida com uma velha pistola ela empreenderá uma incansável perseguição ao amante fugitivo; sua busca a levará até a Inglaterra, em plena efervescência da Swinging London. Os conflitos culturais entre a modernidade de uma metrópole inglesa e um vilarejo da Sicília colocam Assunta em situações cômicas e inusitadas, que afetarão sua visão de mundo, assim como sua relação com os homens que cruzam seu caminho. Monica Vitti brilha intensamente no papel da histérica, atrapalhada e obstinada moça em busca de vingança. Como bem observou o crítico francês Luc Moullet, “a musa de Antonioni nunca esteve mais à vontade que sob a direção de Monicelli”.

Após anos de luta contra um câncer, Mario Monicelli cometeu suicídio em novembro de 2010, aos 95 anos de idade, saltando da janela de um hospital em Roma. Deixou como legado obras que marcaram época e definiram um estilo peculiar que influenciou as comédias italianas, um humor cruel, estridente e repleto de melancolia, que pode ser visto em filmes como Os Eternos Desconhecidos (1958), O Incrível Exército de Brancaleone (1966) e Meus Caros Amigos (1975).

A Moça com a Pistola será exibido numa cópia em DVD, com legendas em português. A entrada é franca.

A Moça com a Pistola (La Ragazza con la Pistola/ Itália / 1968), de Mario Monicelli. Com Monica Vitti, Carlo Giuffrè e Stanley Baker. Duração: 100 minutos.


PROJETO RAROS
SALA P. F. GASTAL - USINA DO GASÔMETRO
SEXTA-FEIRA, DIA 27 DE ABRIL, 20H
ENTRADA FRANCA

terça-feira, 4 de outubro de 2011

CULTUADO HORROR AUSTRALIANO NO RAROS




O projeto Raros da Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro, 3º andar) exibe nesta sexta-feira, 7 de outubro, às 20 horas, o cultuado thriller australiano Mais Próximo do Terror (Next of Kin). Realizado em 1982 por Tony Williams, esta obra tétrica, após anos no limbo do esquecimento, vem sendo redescoberta por cinéfilos (sendo Quentin Tarantino um dos seus fãs mais exaltados) impressionados pela capacidade do filme gerar tensão através de seu apurado senso estético. Sua decupagem, repleta de planos inusitados e sombrios, revela um inteligente e laborioso exercício de suspense em que o domínio da técnica revela-se essencial para a composição de um pesadelo gótico em plena área rural australiana.
Após a morte de sua mãe, Linda (Jacki Kerin) retorna para um vilarejo no interior da Austrália para reger o negócio da família, uma mansão gótica transformada num asilo para idosos. Enquanto tenta se habituar ao novo ambiente, Linda reencontra Barney (John Jarratt), um antigo namorado, ao mesmo tempo em que começa a ser atormentada por pesadelos e bizarras lembranças de infância. Quando um dos internos é encontrado morto na banheira, segredos vêm à tona, revelando que a aparente normalidade do asilo esconde um passado de mortes misteriosas. 


Mais Próximo do Terror (Next of Kin), de Tony Williams (Austrália, 1982). Duração: 85 minutos.