segunda-feira, 23 de setembro de 2013

MISTÉRIOS DE LISBOA SEGUE NA PROGRAMAÇÃO DA SALA P.F. GASTAL



Obra-prima de Raoul Ruiz, Mistérios de Lisboa ganha mais uma semana na Sala P.F. Gastal e permanece em cartaz até dia 29 de setembro.


O filme mergulha o espectador num turbilhão incontrolável de aventuras e desventuras, coincidências e revelações, sentimentos e paixões violentas, vinganças, amores desgraçados e ilegítimos em uma atribulada viagem por Portugal, França, Itália e Brasil.
Numa Lisboa de intrigas e identidades ocultas, encontramos uma série de figuras que dominam o destino de Pedro da Silva, órfão de um colégio interno. Entre eles, está o Padre Dinis, que de aristocrata e libertino se converte em justiceiro; uma condessa roída pelo ciúme e sedenta de vingança; e um pirata sanguinário que se torna um próspero homem de negócios. Todos eles atravessam a história do século XIX e ajudam Pedro na busca por sua identidade.

Vencedor de Prêmio da Crítica da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e do prestigiado Prix Louis Delluc na França em 2010, Mistérios de Lisboa é um dos testamentos cinematográficos de Ruiz, morto em 2011. Pouco exibido no Brasil, o cineasta foi um dos principais nomes do Novo Cinema Chileno dos anos 1960, país do qual precisou fugir após o Golpe de Estado em 1973. Radicado na França, compôs uma filmografia ímpar com mais de 100 títulos, com destaque para A Hipótese do Quadro Roubado (1978), As Três Coroas do Marinheiro (1983), A Vila dos Piratas (1983), além de O Tempo Redescoberto (1998), abusada adaptação da obra de Marcel Proust. Considerado pelo crítico Inácio Araújo como “um herdeiro direto de Orson Welles e Jorge Luis Borges, na medida em que aceita o mundo como constituído por aparências, a partir das quais compõe seus labirintos”, Ruiz faz de seu cinema uma investigação constante sobre a natureza das imagens. Produzido para a televisão, para ser exibido em capítulos, Mistérios de Lisboa foi captado e finalizado em formato digital. Na Sala P. F. Gastal o filme será exibido na íntegra, em uma sessão com cerca quatro horas e meia. O elenco do filme conta com as estrelas francesas Léa Seydoux, Clotilde Hesme e com o ator português e galã global Ricardo Pereira. A exibição será em blu-ray, no projetor de alta definição do espaço, o que assegura a qualidade da projeção.

Mistérios de Lisboa
Dirigido por Raoul Ruiz.
Portugal, 2010, 266 minutos
Com Léa Seydoux, Melvil Poupaud, Clotilde Hesme, Ricardo Pereira, Maria João Bastos, Catarina Wallenstein, Filipe Vargas.
Exibição em blu-ray.

GRADE DE HORÁRIOS
24 a 29 de Setembro de 2013

24 de setembro (terça-feira)
15:00 – Mistérios de Lisboa
20:00 – Sessão Plataforma (Bestiário, de Denis Côté)

25 de setembro (quarta-feira)
14:30 – Mistérios de Lisboa
19:00 – Mistérios de Lisboa

26 de setembro (quinta-feira)
14:30 – Mistérios de Lisboa
19:00 – Mistérios de Lisboa

27 de setembro (sexta-feira)
14:30 – Mistérios de Lisboa
19:00 – Mistérios de Lisboa

28 de setembro (sábado)
17:00 – Sessão Plataforma (Bestiário, de Denis Côté)
19:00 – Mistérios de Lisboa

29 de setembro (domingo)
14h30 – Mistérios de Lisboa
19:00 – Sessão CEN + Bienal (Continental Drift + Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

SESSÃO PLATAFORMA APRESENTA BESTIAIRE, DE DENIS CÔTÉ



Plataforma é uma sessão de cinema, realizada mensalmente na cidade de Porto Alegre (RS), que exibe filmes recentes, de qualquer nacionalidade, duração e bitola, encerrando com um brinde ao cinema, promovendo a confraternização entre cinéfilos, realizadores, críticos, produtores, distribuidores e entusiastas.










A Sessão Plataforma exibe em sua segunda edição o longa metragem BESTIAIRE de Denis Côté. Imagine BESTIAIRE como um filme residência em um zoológico. Côté faz um filme sobre, não animais, mas imagens em extinção. Uma meditação sobre a vida e o movimento, onde há todo momento a câmera esta revelada como intermediador imprescindível desse processo. Não é um filme apenas sobre a câmera e enquadramentos. Mas com seus rígidos e belíssimos quadros, Côté faz com que o
espectador e os personagens (vale ressaltar personagens não dirigíveis), troquem olhares constantes. Uma intimidadora experiência.






- Forum - Berlin International Film Festival
- New Frontier - Sundance Film Festival
- Wavelengths - Toronto International Film Festival
- CPHDOX Festival
- Cinema du Reel Film Festival

Data: terça feira, 24 de setembro
Horário: 20hrs
Ingresso: R$ 3,00
Projeção: bluray.
Depois da sessão, chopp da Cervejaria Rasen Bier
reprise única, sábado, 28 de setembro, 17hrs.


* BESTIAIRE, dir. Denis Côté, 72min, CAN/FRA, 2012.

PROGRAMA DO ROGER RECEBE LEONARDO BOMFIM, PROGRAMADOR DA PF

Lúcio Brancato (que está substituindo Roger em suas férias), recebe o programador da Sala P.F. Gastal, Leonardo Bomfim, que fala sobre a estreia do filme 'Mistérios de Lisboa' em Porto Alegre. Programa do dia 17/09.



quarta-feira, 18 de setembro de 2013

SESSÃO AURORA APRESENTA COMÉDIA DA VANGUARDA CUBANA DOS ANOS 1960



Sessão Aurora apresenta neste sábado, 21 de setembro, às 20h, na Sala P. F. Gastal (3º andar da Usina do Gasômetro), o filme A Morte de um Burocrata, dirigido pelo cineasta cubano Tomás Gutiérrez Alea. Após a sessão, haverá um debate com os editores da revista Aurora e do Zinematógrafo. A entrada é franca.

Lançado em 1966, o filme traz a história de um jovem que, após a morte do tio, precisa desenterrá-lo para pegar a carteira de trabalho que ficou junto do corpo do parente recém falecido, em uma tarefa que o colocará diante de todo aparato enrijecido do regime numa Cuba revolucionária ainda jovem. Para que sua tia possa receber a pensão do falecido, o documento não pode faltar ao governo, sob pena de não concessão do benefício. É então iniciada uma trama de problemas que não se resolverão com facilidade.

Alea, que posteriormente iria realizar aquele que é considerado por muitos sua obra-prima, Memórias do Subdesenvolvimento (1968), fez aqui uma autocrítica aos procedimentos burocráticos do regime, e se por lado não abre mão de ambições estéticas que surgem já bastante acentuadas, por outro trata isso com um humor desgarrado e incrivelmente livre. Não é por acaso que, ainda nos créditos iniciais, ele dedique o trabalho a outros grandes cineastas, como Charles Chaplin, Jean Vigo e Luis Buñuel. O que vemos é também algo como um mosaico de referências que não se envergonha em dizer de onde veio e com quem pretende dialogar. Não por menos, o filme acabou sendo um sucesso de público em Cuba na época de seu lançamento, tendo a maior bilheteria do ano no país.



Aluno do Centro Sperimentale de Cinematografia de Roma no início dos anos 1950, Alea retornou ao seu país natal em 1953 e logo aderiu à revolução Castrista. Foi um dos fundadores do Instituto Cubano de Arte e da Indústria Cinematográficas (ICAIC), já num período pós-revolucionário, realizando o primeiro longa-metragem dessa nova fase da história cubana: Histórias da Revolução, de 1960. Alea seguiu dirigindo documentários e ficções com uma enorme dose de invenção, promovendo uma reflexão constante sobre o andamento da revolução cubana ao longo das décadas.    


A Morte de um Burocrata 
La Muerte de un Burócrata, Cuba, 1966, p&b, 85 minutos. 
Direção: Tomás Gutiérrez Alea.
Com Salvador Wood, Silvia Planas, Manuel Estanillo, Gaspar De Santelices, Luis Romay. O filme será exibido em DVD com legendas em português.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

MISTÉRIOS DE LISBOA ESTREIA NA SALA P. F. GASTAL

Reafirmando o compromisso com a cinefilia porto-alegrense, a Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar) promove a partir de 17 de setembro a estreia de Mistérios de Lisboa, obra monumental de Raoul Ruiz baseada no romance homônimo do escritor português Camilo Castelo Branco.

Mistérios de Lisboa mergulha o espectador num turbilhão incontrolável de aventuras e desventuras, coincidências e revelações, sentimentos e paixões violentas, vinganças, amores desgraçados e ilegítimos em uma atribulada viagem por Portugal, França, Itália e Brasil.
Numa Lisboa de intrigas e identidades ocultas, encontramos uma série de figuras que dominam o destino de Pedro da Silva, órfão de um colégio interno. Entre eles, está o Padre Dinis, que de aristocrata e libertino se converte em justiceiro; uma condessa roída pelo ciúme e sedenta de vingança; e um pirata sanguinário que se torna um próspero homem de negócios. Todos eles atravessam a história do século XIX dezenove e ajudam Pedro na busca por sua identidade.
Vencedor de Prêmio da Crítica da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e do prestigiado Prix Louis Delluc na França em 2010, Mistérios de Lisboa é um dos testamentos cinematográficos de Ruiz, morto em 2011. Pouco exibido no Brasil, o cineasta foi um dos principais nomes do Novo Cinema Chileno dos anos 1960, país do qual precisou fugir após o Golpe de Estado em 1973. Radicado na França, compôs uma filmografia ímpar com mais de 100 títulos, com destaque para A Hipótese do Quadro Roubado (1978), As Três Coroas do Marinheiro (1983), A Vila dos Piratas (1983), além de O Tempo Redescoberto (1998), abusada adaptação da obra de Marcel Proust. Considerado pelo crítico Inácio Araújo como “um herdeiro direto de Orson Welles e Jorge Luis Borges, na medida em que aceita o mundo como constituído por aparências, a partir das quais compõe seus labirintos”, Ruiz faz de seu cinema uma investigação constante sobre a natureza das imagens. Produzido para a televisão, para ser exibido em capítulos, Mistérios de Lisboa foi captado e finalizado em formato digital. Na Sala P. F. Gastal o filme será exibido na íntegra, em uma sessão com cerca quatro horas e meia. O elenco do filme conta com as estrelas francesas Léa Seydoux, Clotilde Hesme e com o ator português e galã global Ricardo Pereira. A exibição será em blu-ray, no projetor de alta definição do espaço, o que assegura a qualidade da projeção.

Mistérios de Lisboa
Dirigido por Raoul Ruiz.
Portugal, 2010, 266 minutos
Com Léa Seydoux, Melvil Poupaud, Clotilde Hesme, Ricardo Pereira, Maria João Bastos, Catarina Wallenstein, Filipe Vargas.
Exibição em blu-ray.
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GRADE DE HORÁRIOS
17 a 22 de setembro de 2013
17 de setembro (terça-feira)
14:30 – Mistérios de Lisboa
19:00 – Mistérios de Lisboa

18 de setembro (quarta-feira)
14:30 – Mistérios de Lisboa
19:00 – Sessão História no Cinema (Os Anos JK, de Silvio Tendler)

19 de setembro (quinta-feira)
14:30 – Mistérios de Lisboa
19:00 – Mistérios de Lisboa

20 de setembro (sexta-feira)
15:00 – Mistérios de Lisboa
20:00 – Mostra de Filmes Horizonte à Venda

21 de setembro (sábado)
15:00 – Mistérios de Lisboa
20:00 – Sessão Aurora (A Morte de um Burocrata, de Tomás Gutiérrez Alea)

22 de setembro (domingo)
14:30 – Mistérios de Lisboa
19:00 – Sessão Bienal

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

OS FILMES ESTÃO VIVOS na Sala P. F. Gastal

Os Filmes Estão Vivos é lançado em Porto Alegre

Sessão ocorre no sábado, dia 14 de setembro, às 19:30,
na sala P.F. Gastal



 Depois de receber o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio da Crítica no Festival de Gramado, o curta foi selecionado para a Janela Internacional de Cinema do Recife. Agora, finalmente, o filme vai ser lançado em Porto Alegre, em sessão especial na Sala P. F. Gastal (3º andar da Usina do Gasômetro).

Os Filmes Estão Vivos acompanha Enéas de Souza em seis sessões de cinema pela cidade-luz. Da escolha dos títulos, chegando na reflexão e no debate sobre cada obra, o curta busca flagrar o pensamento vivo do autor de Trajetórias do Cinema Moderno (1965). Uma homenagem a Paris, ao Quartier Latin, às pequenas salas de arte e ensaio.

Os Filmes Estão Vivos  tem direção de Fabiano de Souza e Milton do Prado, e produção da Rainer Cine. Filmado no gélido janeiro de 2013, o curta passeia pela verve amoral de Ernst Lubitch, (One hour with you, 1932) e pela poética física de Robert Aldrich (Atack, 1956). A fuga do cinema clássico aparece na profusão dionisíaca de John Cassavetes (Husbands, 1970) como na ironia matreira de Sergio Corbucci (Django, 1966). O cinema contemporâneo também se faz presente com a poesia cotidiana de Hong Sang-Soo (A Visitante Francesa, 2012) e na discussão acalorada sobre Leos Carax e seu Holy Motors (2012).


Os Filmes Estão Vivos tem montagem de Vicente Moreno e edição de som e mixagem de André Sittoni. A música foi composta por Sergio KaramGeraldo Fischer, em um processo inspirado pela trilha de Ascensor Para o Cadafalso (1959), de Louis Malle. Como Miles Davis, Karan e Fischer improvisaram a partir do contato direto com as imagens do filme. Deu caldo! 


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OS FILMES ESTÃO VIVOS
Produtora: Rainer Cine
Co-produtora: Ponto Cego
Ano de Produção: Jul/2013
Local: Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Classificação: Livre
Duração: 25min

Sinopse: Enéas de Souza, crítico de cinema, viaja a Paris todos os anos, para se certificar de que lá os filmes estão vivos. Durante seis dias de janeiro de 2013, ele assiste a um filme por dia e revê sua relação com o cinema e a cidade.

FICHA TÉCNICA

Diretor: Fabiano de Souza e Milton do Prado
Roteirista: Fabiano de Souza e Milton do Prado
Atores: Enéas de Souza
Direção de Fotografia: José Bódalo
Montador: Vicente Moreno
Música: Sérgio Karam e Geraldo Fischer
Som: Angel Alvarez
Transcrição: Joana Bernardes
Marcação de luz: Roberto Valduga e Bruno Polidoro
Produção de Base: Daniela Strack


SERVIÇO
O QUE: Lançamento do curta OS FILMES ESTÃO VIVOS
QUANDO: sábado, dia 14 de setembro, às 19:30. Em caso de lotação da sala, haverá mais sessões.
QUANTO: na faixa!
ONDE: Sala P.F. Gastal - Usina do Gasômetro (João Goulart, 551).

CONTATO

Rainer Cine – (51) 3062-0968
Milton do Prado: miltonrainer@gmail.com / (51) 9939-3689
Fabiano de Souza: fabianorainer@gmail.com / (51) 9939-8565
Sala P. F. Gastal: salapfgastal@gmail.com / (51) 3289 8137

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

SALA P. F. GASTAL EXIBE MOSTRA DE PHILIPPE GARREL, O POETA MALDITO DO CINEMA FRANCÊS

A Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro (3º andar), em parceria com a Embaixada da França, da Cinemateca da Embaixada da França no Brasil e do Institut Français, apresenta entre os dias 10 e 15 de setembro a mostra Philippe Garrel: Por um Cinema Íntimo, com quatro longas-metragens em 35mm do cultuado realizador francês.


Acompanhada de perto pela crítica especializada desde a década de 1960, a obra de Philippe Garrel obteve maior reconhecimento a partir do êxito de Amantes Constantes no Festival de Veneza de 2005, imediatamente apontado como o filme definitivo sobre a geração francesa de 1968 e o primeiro a ter lançamento comercial no Brasil. A consagração tardia despertou o interesse da cinefilia brasileira, mas boa parte da filmografia de Garrel permanece invisível nas salas de cinema do país. A fim de introduzir esta que é uma das trajetórias mais inspiradoras da cinematografia francesa, a Sala P. F. Gastal exibe durante a semana Beijos de Emergência (1989), Já Não Posso Ouvir a Guitarra (1991), O Nascimento do Amor (1993) e Amantes Constantes (2005).

Por causa da intensa relação pessoal com a própria criação, muito se diz que a obra de Garrel tende à autobiografia – numa de suas primeiras grandes entrevistas para a crítica francesa, em 1968, o cineasta já era provocado: “Por que você não se filma em frente ao espelho?”. Mais do que olhar para si, Garrel é o cineasta que leva às ultimas consequências a ideia do cinema como um acontecimento íntimo. Em seus filmes, é comum encontrarmos familiares, amigos e amantes entre os atores, como em Beijos de Emergência, em que o próprio cineasta contracena com sua então esposa, Brigitte Sy, seu pai, Maurice Garrel, e seu filho, Louis Garrel (os dois últimos são presenças constantes em sua filmografia). Dessa forma, a obra de Garrel guarda ao mesmo tempo um poder de testemunho e uma abertura à fabulação, com uma defesa radical da aproximação entre arte e vida.

Do desbunde contracultural nos anos 1960/70 até a ressaca política e existencial nas décadas posteriores, Garrel consegue fazer de sua obra um retrato poderoso de sua geração. Realizados em seqüência, Beijos de Segurança, Já Não Posso Ouvir a Guitarra e O Nascimento do Amor foram construídos sob o signo da perda, em especial a trágica morte da cantora Nico, em 1988, com quem Garrel teve um longo relacionamento amoroso nos anos 1970. São filmes de sobreviventes, repletos de personagens que precisam restabelecer os laços afetivos a partir das ausências e a conviver com as cicatrizes emocionais e o fim definitivo dos ideais de sua geração.

GRADE DE PROGRAMAÇÃO
10 a 15 de setembro de 2013

Beijos de Emergência (Les Baisers de Secours), de Philippe Garrel. França, 1989, 90 minutos, 35mm.
Mathieu (Philippe Garrel) é um cineasta que se prepara para dirigir um novo filme com uma atriz famosa (Anémone). Sua esposa Jeanne (Brigitte Sy) acredita que a história do filme é autobiográfica e considera que a escolha tem o peso de uma traição. Ao filmar sua própria vida com um núcleo familiar verdadeiro (esposa, pai e filho, todos atores de ofício), Philippe acompanha a sobrevivência de uma geração que já não sabe como se enxergar.

Já Não Ouço a Guitarra (J'entends Plus la Guitare), de Philippe Garrel. França, 1991, 98 minutos, 35mm
De volta à Paris após os incidentes de maio de 68, Gerard passa seus dias fumando haxixe e sonhando com a bela Marianne. Filme autobiográfico, dedicado postumamente à cantora e modelo Nico (ex-Velvet Underground), ex-mulher de Garrel e musa dos filmes que o cineasta rodou na década de 1970. Leão de Prata no Festival de Veneza de 1991.



O Nascimento do Amor (La Naissance de l’amour), de Philippe Garrel. França, 1993, 94 minutos, 35mm.
Paul (Lou Castel) e Marcus (Jean-Pierre Léaud) são dois amigos, um ator e outro escritor, que vivenciam o drama de amar e ser amado. Marcus quer retomar o amor de Hélène (Dominique Reymond), que o abandonou, e Paul deseja recuperar a guarda de seus filhos.




Amantes Constantes (Les Amants Réguliers), de Philippe Garrel. França, 2005, 178 minutos, 35mm.
Um grupo de jovens artistas dedica-se ao ópio após ter vivido os acontecimentos de 1968. Um romance intenso nasce dentro deste grupo, entre dois jovens de 20 anos que se conheceram durante a revolta. Leão de Prata no Festival de Veneza de 2005.






GRADE DE HORÁRIOS
10 a 15 de setembro de 2013

10 de setembro (terça-feira)
15:00 – Já Não Ouço a Guitarra
17:00 – O Nascimento do Amor
19:00 – Beijos de Emergência

11 de setembro (quarta-feira)
15:00 – Beijos de Emergência
17:00 – O Nascimento do Amor
19:00 – Amantes Constantes

12 de setembro (quinta-feira)
15:00 – Já Não Ouço a Guitarra
17:00 – Beijos de Emergência
19:00 – O Nascimento do Amor

13 de setembro (sexta-feira)
15:00 – O Nascimento do Amor
17:00 – Amantes Constantes
20:00 – Já Não Ouço a Guitarra (debate Cinedrome)

14 de setembro (sábado)
15:00 – Amantes Constantes
19:30 – Lançamento do curta Os Filmes Estão Vivos, de Fabiano de Souza e Milton do Prado

15 de setembro (domingo)
15:00 – Beijos de Emergência
17:00 – Já Não Ouço a Guitarra
19:00 – O Nascimento do Amor

APOIO

JOÃO MOREIRA SALLES, QUE PARTICIPA DE DEBATE HOJE À NOITE NA SALA P. F. GASTAL, EM ENTREVISTA À ZERO HORA

Zero Hora
Segundo Caderno

O diretor faz parte da história05/09/2013 | 
João Moreira Salles participa de debate sobre o documentário "Shoah" nesta sexta

Evento acontece após exibição da quarta parte da obra-prima, dirigida pelo francês Claude Lanzmann

João Moreira Salles participa de debate sobre o documentário "Shoah" nesta sexta Glaicon Covre/Agencia RBS
João Moreira Salles participa de debate sobre o documentário "Shoah", sexta, às 20h, na Sala P. F. GastalFoto: Glaicon Covre / Agencia RBS
A exibição da parte quatro do documentário Shoah (1985), nesta sexta-feira, às 17h30min, na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro, terá na sequência um debate com o documentarista João Moreira Salles. A sessão e o bate-papo, previsto para as 20h, têm entrada gratuita. 


Shoah, obra-prima com nove horas de duração dirigida pelo francês Claude Lanzmann, é considerada o mais importante registro audiovisual sobre o Holocausto - foi realizado ao longo de 10 anos sem imagens de arquivo, apenas com depoimentos de sobreviventes dos campos de extermínio nazistas e testemunhas da barbárie. O evento marca o lançamento, na Capital, da caixa de DVDs com o documentário, que segue em exibição na sala, em quatro partes, até domingo.

Assista ao trailer do documentário:



Salles é um dos mais importantes documentaristas do Brasil e ajudou a redefinir a linguagem do gênero com o premiado Santiago (2007). Também é presidente do Instituto Moreira Salles (IMS), selo responsável pelo lançamento de Shoah no Brasil, e editor da revista Piauí. Em entrevista a Zero Hora, ele destaca a importância de Shoah e também de outro documentário referencial sobre o Holocausto, o curta-metragem Noite e Neblina (1955), de Alain Resnais. Entre outros temas, fala ainda do mestre Eduardo Coutinho e de seu próximo filme. Confira os principais trechos:

"Shoah" e "Noite e Neblina"
"Eu não sou especialista no fenômeno histórico do Holocausto. Tenho uma admiração pelo filme como espectador. Shoah foi uma recomendação minha (ao crítico José Carlos Avellar, curador da coleção de DVDs do IMS). É um filme de nove horas que não seria lançado se não fosse por um selo como o IMS. A diferença (em relação ao curta Noite e Neblina) está ligada ao tempo histórico. O filme de Resnais é o primeiro de impacto sobre o Holocausto, feito muito em cima da experiência histórica. Resnais chega como a primeira consciência do que foi aquilo.

Ele não queria fazer o filme, por não ter vivido a experiência do Holocausto. Concordou pedindo que o roteirista fosse o Jean Cayrol (ex-prisioneiro dos campos), que fez o texto e organizou o filme. Resnais usa imagens de arquivo, que Lanzmann se recusa terminantemente a usar. Lanzmann, que é muito duro com o uso de imagens de arquivo do Holocausto, não é com Resnais, porque entende o tempo em que (Noite e Neblina) foi feito, a importância dele naquele instante e a impossibilidade de se fazer de outra maneira. Porque não havia ainda toda a produção acadêmica, não se tinha a dimensão histórica, existencial, filosófica do que de fato foi o Holocausto. Lanzmann se alimenta de tudo isso, principalmente do livro do Raul Hilberg, A Destruição dos Judeus Europeus na Europa. Quando faz o filme, o tempo histórico dele já era outro. (Lanzmann) faz um filme sobre a memória e sobre a presença da memória - o que, de certa maneira, não é muito diferente do que Resnais fez. Mas Lanzmann acredita na potência da palavra. O filme dele é sempre no presente, nunca no passado, nessa ideia de que o Holocausto está vivo e de que só existe na memória daqueles que o viveram e na consciência daqueles que estão dispostos a receber a transmissão dessa experiência. Isso é muito novo do ponto de vista do documentário. É um filme poderosíssimo em todos aspectos, tanto pelo tema quanto pela forma."

Coutinho e o documentário no Brasil

"Existe uma reflexão sobre a forma que me parece essencial. Toda vez que houve uma inflexão importante na história do documentário, ela veio pela forma, e não necessariamente pelo conteúdo. O filme de Resnais usa procedimentos já clássicos: narração, imagens de arquivo, trilha sonora, uma estrutura desenvolvida na década de 1930 pelos ingleses. Mas uma coisa que muda no filme de Resnais está ligada à narração. Começa na terceira pessoa e termina na primeira. O narrador se torna implicado na história que conta.

O documentário brasileiro era muito conservador na forma até pouco tempo atrás, com as exceções de praxe. Graças ao Eduardo Coutinho se percebeu que tão forte quanto o assunto é a maneira como você conta o assunto. O que o documentário conta, transmite, é uma experiência, não é uma informação. Acho que é essa a lição que a gente aprendeu com Coutinho, que, por sua vez, aprendeu com o Lanzmann. Shoah tem uma importância muito grande no cinema do Coutinho, que radicaliza isso a partir do Santo Forte (1999), porque passou a perceber a força da palavra falada. Quando a palavra falada é investida de afeto, paixão, dor, sentimento, não importa se é verdade ou mentira. É onde está boa parte da força desses documentários em primeira pessoa. Na primeira pessoa, você está implicado na história. O Diário de uma Busca (2011), por exemplo, da Flávia (Castro). Você pode falar do regime militar através de uma história que passa por dentro de você, por suas entranhas. Não é mais: 'A história está lá e eu estou aqui'. É: 'Eu sou parte da história'."

Manifestações e overdose de imagens

"Você não precisa de um grande tema para fazer um grande documentário. Essa é a diferença do cinema de Coutinho e de Shoah, que ainda lida com um grande tema, talvez o maior tema do século 20. Coutinho usa os procedimentos da palavra falada, mas transfere isso do grande palco da história para o palco da copa e cozinha, para uma coisa menor, cotidiana, a vida miúda. Essas manifestações populares no Brasil podem render documentários extraordinariamente medíocres se as pessoas acharem que basta o tamanho do fato para que o filme seja bom. Não. É preciso encontrar uma maneira de narrar isso. Videogramas de uma Revolução (filme de 1992 que mostra a deposição e execução do ditador da Romênia Nicolae Ceausescu a partir das transmissões de TV e imagens de câmaras de manifestantes) tem sua força na forma como o material foi organizado.

A força da Mídia Ninja está no fato de aquilo estar acontecendo e você estar assistindo na hora. Aquilo visto depois não tem força nenhuma. Vai depender de uma cabeça pensante que saiba estruturar tudo de maneira que tenha força. Não é pelo fato de 2 milhões de pessoas saírem às ruas que você terá um grande documentário. Coutinho mostrou que é possível fazer um grande documentário sobre um prédio onde nada acontece no sentido da grande história."

Próximo filme

"É um projeto como Santiago, que só virou filme depois que percebi que não era uma experiência. Não é necessariamente ligado à minha vida pessoal, ainda que passe perto. Estou lidando com material de arquivo do mundo inteiro ligado ao ano de 1968, principalmente na França, na Checoslováquia e no Brasil. Voltei a entrar numa ilha de edição e passei sete meses organizando esse material. Terminei há um mês e tenho um primeiro corte de quase seis horas, que estou deixando descansar. Quando voltar, verei se vale continuar ou se foi apenas uma experiência. Se for adiante, termino de editar em 2014 e vira alguma coisa concreta em 2015."

Revista Piauí

"A revista completa sete anos em outubro e vai em velocidade de cruzeiro. Atingiu um público que é muito fiel. Acho que repercute mais do que o tamanho dela. A gente pode fazer um jornalismo que a imprensa que existe hoje no Brasil é incapaz de abrigar. É uma alternativa bacana. A tiragem depende do assunto, mas gira em torno de 70 mil exemplares, com 22 mil assinantes. Num mundo cada vez mais digital, é uma revista que requer atenção e tempo de leitura. A Piauí não quer dar lição para ninguém. Como esse nicho estava descoberto, achei que era possível ocupá-lo."